‘Terra Prometida’ promete mais que os Mandamentos

Cristina Padiglione

06 Julho 2016 | 18h13

 

Primeiro capítulo de novela é sempre enganoso, por melhores que sejam as intenções do diretor/produtor/autor e atores. É o episódio que apresenta a história ao público, milimetricamente estudado para se fazer compreender e atrair a plateia para os cento e tantos episódios a seguir.

É nesse contexto que vamos dizer que A Terra Prometida, nova novela bíblica da Record, promete mais que Os Dez Mandamentos no quesito acabamento final. Josué, que já conhecíamos da convivência com Moisés, na interpretação de Sidney Sampaio, não tem a segurança e autoconfiança do mestre, vá lá, mas a fragilidade do herói pode até gerar mais identificação com a plateia.

Não é, no entanto, no paralelo entre Moisés e Josué que está a boa percepção do folhetim. Para uma apresentação inicial, tivemos um bom desfile de figuras contraditórias e seus conflitos, vide a prostituta de Mirian Freeland, Raabe, uma espécie de Geni. Moça de boa índole, embora condenada pela família e sociedade em razão do ofício, é persona forte que promete empatia da audiência. Na contramão da fama da profissão, ela não faz qualquer coisa por dinheiro, vai logo avisando ao chefe do exército do rei. Também deu medo da Rainha Kalesi, papel de Juliana Silveira, louca para esbofetear o feiticeiro amedrontado de Marcos Winter.

A edição mesclou cenas de batalha, correria de figurantes entre personagens em cidade cenográfica, takes aéreos, pragas rogadas e profecias, lanças atiradas contra Josué, muralhas aparentemente intransponíveis, todo um conjunto que conspira a favor da curiosidade para os próximos capítulos, com eficiência de montagem, atuação, direção, texto e trilha sonora.

A audiência  respondeu bem. A média do capítulo foi de 18 pontos na Grande São Paulo, segundo dados do Kantar Ibope, com pico de 19 e 24% de sintonia entre os televisores ligados. De Renato Modesto, com direção-geral de Alexandre Avancini, a trama rendeu 17 pontos de média no Rio.

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