Tá sobrando intervalo

Cristina Padiglione

28 de dezembro de 2009 | 16h45

Sim, eu deveria ao menos ter postado aqui um aviso sobre meu pequeno recesso de Natal, mas nada fiz. Agora estou de volta, só por mais uma semana antes das férias, e nem sei o que dizer. Não vi TV nos últimos dias. Nunca antes na história desse país tive tanta falta de disposição para ver TV. Já não sei se eu é que estou ficando velha, impaciente, renitente, ou se de fato os intervalos comerciais estão insuportavelmente longos, em canais abertos, pagos, públicos, tanto faz. É muita propaganda para pouco conteúdo.
Nos canais pagos, isso incomoda sobremaneira. Penso na mensalidade que desembolso e naquele argumento do Sr. ABTA (Associação Brasileira de Televisão Por Assinatura), Alexandre Annenberg, que defende em seus discursos a teoria de que a TV paga precisa de comerciais para poupar o assinante dos custos que a publicidade banca ao setor.
Trocando em miúdos, sem publicidade, Annenberg sugere que a mensalidade paga pelo cidadão seria ainda maior.

Como é que a TV quer convencer sua plateia a frear a pirataria de download de séries se ela nos oferece esse menu, repleto de intervalos e cifras nos boletos de cobrança? E aos anunciantes, interessa essa falta de critério que mistura comerciais de toda espécie, jogando, lado a lado, aqueles anúncios de Polishop e filmes publicitários de largos investimentos de produção?

Oxalá o setor encontre uma equação menos nociva ao assinante, que, afinal, em última instância, é quem banca o circo. Sem assinante, nem publicidade há de se aproximar desse métier.

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