Sotaque “neutro”, para a Globo, nasceu na zona sul carioca

Cristina Padiglione

01 de dezembro de 2008 | 17h58

A pergunta é:

Por que alguém como a Vera Holtz, quando faz novela na Globo, tem de se submeter a fonoaudiólogo ou justificar em cena seu belo “erre” de Tatuí?

Por quê???
Pois se o elenco d'”A Favorita”, novela que em tese se passa em São Paulo, com caprichosos planos do Anhangabaú e arredores, perdeu por completo qualquer preocupação em disfarçar os “esses” e “erres” do “Ríiio”?

Não que a gente queira ver o Cauã Reymond, a Patrícia Pillar, o Murilo Benício, o Thiago Rodrigues, a Helena Ranaldi, o Malvino Salvador, a Taís Araújo ou a Angela Leal pronunciando “apartamêntu”, mas não custava nada enxugar os excessos do chiado carioquês, né não? A Débora Secco já está em outra categoria. Começou a novela se esforçando pelo sotaque capiau e, ao crescer na vida, trocou de figurino com a mesma rapidez com que reengatou aquele acento zona sul carioca que a persegue por onde ela vai.

Façamos cá as ressalvas, vai: Mariana Ximenez, Cláudia Raia, Glória Menezes, Tarcisão, Mauro Mendonça, Suzana Faini e Lília Cabral estão de acordo com o contexto do enredo.

Não é bairrismo, não. O enrosco está no “dois-pesos-duas-medidas”, com valores inversamente proporcionais ao tamanho da platéia incomodada. Elementar: se há muito mais gente em São Paulo do que no Rio, o público que não se reconhece no espelho proposto pela Globo é bem maior do que aquele que supostamente estranha o “erre” de Tatuí.

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