Silvio Santos abre as portas da esperança. Para a concorrência

Cristina Padiglione

07 Março 2007 | 21h02

Aos que vêem a decadência do SBT como mero antagonismo ao crescimento da Record – e normalmente esse raciocínio limítrofe vem recheado de descrédito a uma empresa que é abastecida por dinheiro proveniente de igreja – convém avisar:
Não é só a Record que tem se beneficiado dos equívocos de Senor Abravanel. O novo modelo de telejornal concebido pelo patrão, por exemplo, tem aberto brecha para o crescimento da RedeTV!. A Band já não se vale dessa migração, até porque na faixa nobre, principal horário do dia, todas as estratégias de grade são interrompidas em nome da boa paga de RR Soares. E a RedeTV! não dispõe de todo o dinheiro que abastece a Record, mas faz o elementar: não altera sua grade de programação a cada semana.

A RedeTV! faz tudo que Silvio Santos não faz. É pena que só ele não consiga enxergar. Há excelentes profissionais e idéias perdidas naquela grade da Anhanguera. Um desperdício.

Por exemplo: todo mundo sabe a que horas passa o programa da Luciana Gimenez. E quem sabe a que horas vai ao ar o programa da Adriane Galisteu. E ela está ou não no ar?

SS sempre mexeu na sua programação mais do que deveria. Faltava apenas alguém na concorrência disposto a se aproveitar disso. Agora, além de mexer e remexer, a ponto de dirigir jornal, ele nem se importa em avisar quem quer que seja. Anunciantes e afiliadas são pegos de surpresa. O público, então, assiste por acaso, quando assiste. É um jogo de azar.

A queda do SBT mexe com toda a divisão do bolo na TV e acelera a tendência de pulverização da audiência – e da verba publicitária.