Sexo Oposto, longe do racismo

Cristina Padiglione

13 de maio de 2008 | 16h26

Leitor assíduo, Guilherme Cimino me cobra posicionamento sobre o fato de a Fernanda Torres ter sido pintada como negra para representar a empregada doméstica no quadro “Sexo oposto”, domingo passado, no “Fantástico”.

Não vi racismo na opção de pintá-la de negro, juro que não vi assim. Ri muito quando ela surgiu como tal. Na hora me lembrei do caso do Sérgio Cardoso, escurecido na maquiagem para protagonizar “A Cabana do Pai Thomás”, na Globo, em 1969. Imagine, na época era tão inconcebível escalar negro para protagonizar novela, que chamaram um branco para fazer o personagem.

Como a idéia de “Sexo Oposto” é revezar apenas os dois atores (Fernanda e Evandro Mesquita) em todos os papéis, a indignação do leitor não se apega ao fato de não chamarem uma negra para ser a empregada, oras bolas, mas sim na questão: por que a empregada tem de ser negra?

Ele não deixa de ter razão, mas eu, talvez por lutar um pouco contra o exagero das normas ditas politicamente corretas, talvez por gostar muuuuuuito do quadro, talvez por ter minha atenção roubada pelo entretenimento que o texto e a interpretação do casal me provoca, não suspeitei de qualquer preconceito na negritude da doméstica.
O essencial é o seguinte: há muitas empregadas domésticas negras, há muitas empregadas domésticas brancas e há muitas empregadas domésticas pardas. Isso nos permite relaxar e dizer, ok, é possível caracterizá-la como negra, sem esbarrar no racismo. Estranho seria dar de cara com uma doméstica oriental, o que eu nunca vi.
Assim, prefiro imaginar que a opção pelo make up nada mais foi que recurso cênico.

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