‘Sexo e as Negas’ é a antítese do estereótipo

‘Sexo e as Negas’ é a antítese do estereótipo

Cristina Padiglione

17 Setembro 2014 | 12h22

O novo seriado de Miguel Falabella, e agora que já estreou podemos falar com convicção, longe de suposições, é a antítese do estereótipo da mulata brasileira, mulher objeto que até hoje aparece como imagem do Brasil no exterior.

O estereótipo negativo dessa moeda foi o ponto levantado pela Secretaria de Direitos Raciais, ligada ao governo federal, ao acolher 11 queixas de entidades defensoras de negros, segundo informou a própria secretaria, sem contudo anunciar os nomes das associações que teriam se sentido ofendidas.

Não há, em absoluto, qualquer sinal de que as mulheres ali apresentadas, as “negas”, como Falabella defende pela prosódia, sejam tradução desse estereótipo. Não há, como na imagem da mulata exportação, a subserviência a quem as deseja ou cobiça. Ao contrário. Elas mandam na situação. São donas de suas curvas e de suas vontades. Escolhem com quem, quando e como se deitar – ou não.

A alusão a ‘Sex and The City’, o seriado protagonizado pela loura Sarah Jessica Parker, está mais no nome do que na concepção. Pudera. Não estamos na Nova York da série da HBO de dez anos atrás, mas no morro carioca atual, palco de shows de funk e muita libido. Mas, de novo, elas é quem mandam nos rumos dessa libido. Daí o descabido de qualquer menção capaz de ofender direitos raciais ou femininos.

Só convém tirar as crianças da sala, digo, aquelas que já deveriam estar na cama e insistem em circular pela casa àquela altura, tarde da noite. As cenas que justificam o “sexo” do título são ousadas para TV aberta. São parte do show que enaltece a beleza das meninas, de suas minissaias reluzentes aos figurinos de anos 60 ostentados no musical de encerramento.

Boas de cama, boas de copo, boas de palco, mas também boas filhas e boas mães. Assim são as negas bem resolvidas.

O resto é conversa de quem procura pelo em ovo e não sabe se divertir.