Seção pólvora

Cristina Padiglione

23 de fevereiro de 2007 | 01h00

Sintonizo a Record na noite de quarta-feira.

Vejo dois grupos a trocar tiros. Penso: ah, sim, é o tiroteio das noites de quarta, dentro da novela “Vidas Opostas”. É bem aí, na faixa ocupada pelo futebol no outro canal, que o enredo concentra o sangue capaz de justificar sua autoproclamada ousadia, sob o pretexto de abordar o universo da criminalidade.

Não, ainda não era “Vidas opostas”. Os tiros vinham da novela anterior, “Bicho do mato”, em cenas repletas de figurantes pintados como índios de peça infantil.

Sem me desculpar pelo trocadilho infame, sou forçada a concluir que a Record descobriu a pólvora na arte de estufar a audiência.

E nem carecia de tanto bang-bang. As novelas da Record caminham com alguma desenvoltura no ibope também em capítulos sem tiroteio. Um bocadinho de sangue, verdade seja dita, faz o ibope subir. Mas os enredos na TV de Edir Macedo têm lá seus méritos e, especialmente, toda a brecha aberta pela imprevisibilidade do SBT.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.