Sapucaí não cabe na tela

Cristina Padiglione

04 Fevereiro 2008 | 17h21

Não adianta.
Com todos os avanços representados pela era digital, com toda a parafernália que a Globo investe na transmissão (e não há como negar a competência da emissora nesse expediente), a tela da TV não alcança nem os calcanhares do efeito que a Sapucaí provoca nos olhos, e principalmente ouvidos in loco. Não há tecnologia que chegue para a reprodução fiel da bateria, para o enquadramento de cores e alegorias. Não há câmera que baste para medir a reverência da platéia, disposta a se curvar num ave-cesar, tanto quando a Luma passa (ainda que não passe, dá na mesma, porque todas querem ser Luma), como quando o gari dá seu show, no intervalo entre uma escola e outra.

Quem já testemunhou pessoalmente os desfiles do Grupo Especial das escolas de samba do Rio sabe que não há nada mais “intraduzível” para a tela da TV do que o espetáculo em questão.