Roberto Carlos, do TOC à escova progressiva

Roberto Carlos, do TOC à escova progressiva

Cristina Padiglione

14 de setembro de 2011 | 23h43

Crédito: Zé Paulo Cardeal/Divulgação

Jô oferece uma rosa ao Rei

Foi uma tarde de grades emoções e boas histórias.
Após 15 anos, e pela primeira vez na Globo, Roberto Carlos voltou ao programa de Jô Soares para uma longa entrevista. Gravada hoje para ir ao ar na sexta, a presença do Rei naquela poltrona rendeu ótimas revelações.

Os assuntos vão do T.O.C., o Transtorno Obsessivo Compulsivo sofrido pelo cantor, a confissões sobre escova definitiva e de como Roberto e todos os integrantes da Jovem Guarda tanto queriam aqueles fios lisos ostentados pelo então príncipe Ronnie Von. “Ele balançava o cabelo pra lá, pra cá, e voltava tudo para o lugar. Eu dizia: ‘noooossa!'”, contou RC.

O assunto capilar surgiu quando Jô perguntou a RC se ele se lembrava de quando usava touca, nos idos da Jovem Guarda, na TV Record, para exibir madeixas menos rebeldes do que as que tinha na época. Disse que ele e Erasmo, na falta de touca, não hesitavam em pedir às moças do auditório uma meia para acomodar na cabeça e, assim, amaciar os fios. “Jô, depois da escova progressiva, eu nem me lembro mais disso”. Viu-se ali um RC bastante capaz de brincar com as fraquezas que nele apontam. Os cabelos extremamente alisados, afinal, têm sido alvo de longas chacotas, aqui e ali.

Muito falou também sobre o T.O.C., Transtorno Obsessivo Compulsivo, doença que descobriu em si após anos e anos julgando-se simplesmente alguém supersticioso. “Quando meu filho me trouxe uma reportagem sobre o T.O.C., descobri que aquilo era mais que superstição”, contou.
Somado a isso, viveu uma época em que, nas suas palavras, “estava fazendo curso para ser santo”, tamanho era o incômodo de quando não conseguia ir à missa. “Uma vez entrei numa igreja em Los Angeles e já era tarde. Fecharam a porta principal e mantiveram outra aberta, mas eu não poderia sair por uma porta diferente da que eu havia entrado. Pedi a um rapaz, no meu inglês, que ele abrisse a outra porta. E ele disse que não abriria, pois havia aquela porta menor aberta e era possível sair por ali. Eu então disse que não poderia sair por aquela porta, porque havia entrado por outra. O cara disse então que não abriria a porta principal e eu tive que sair por aquela mesmo”. No dia seguinte, no entanto, RC voltou à igreja, tendo então entrado pela porta menor, por onde tivera de sair na véspera, e saído pela principal. “O rapaz me viu fazendo isso e riu”, emendou Roberto.

RC disse que já está mais liberto do T.O.C. e do exagero cristão, mas continua praticante de fé, claro.
Jura que nada tem a ver com T.O.C. o seu zelo por bichinhos como lagartixas, formigas, sapos e até libélulas – uma vez viajou até Londrina com um exemplar do inseto porque a libélula tinha lá uma asa quebrada, e tentou colar-lhe a asinha. Relembrou também a hitória de um sapo, que atropelou em Miami, durante uma temporada em que gravava lá um disco. Penalizado pelo fato de o sapo ficar estatelado no meio da rua, deu meia volta com o carro para ao menos recostar o bicho no meio-fio. Ao reestacionar o carro para pegar o pobre frog, foi surpreendido por dois carros de polícia, e os policiais acharam a história toda muito estranha…

RC canta e conversa durante todo o programa. Faz uma verão de Detalhes completa e lindamente acústica, canta Nas Curvas da Estrada de Santos, Jesus Cristo e, claro, abre o programa com Emoções.

Após a gravação, muito solícito com uma plateia formada toda por funcionários da Globo, RC falou rapidamente com alguns jornalistas. Disse que planeja um novo CD para o ano que vem, com músicas suas ou em parceria com Erasmo, o “irmão que escolhi ter”. E conta que não sabe por que demorou tanto para ir ao programa do Jô, que ele diz ver todos os dias. “Fiquei nervoso no começo, mas depois me soltei”.

Algumas perguntas que Jô endereçou ao Rei foram explicitadas pelo próprio apresentador como dicas de seu empresário, Doddy Sirena. Uma delas, sobre casamento gay, rendeu uma resposta de RC completamente favorável à união homossexual. Diz que todo mundo tem o direito de ser feliz, desde que não incomode os outros, e visto que um casamento entre gays em nada pode incomodar alguém, por que seria contra?
“Quando o Doddy me sugeriu que fizesse essa pergunta”, disse Jô, “eu tomei um susto: ‘será que o Roberto vai sair do armário no meu programa?'”
Risos do entrevistado e da plateia.

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