Record, Globo, IURD e outras preces

Cristina Padiglione

17 de agosto de 2009 | 18h18

Tentei me fingir de poste para não fazer post algum sobre as edições que a Record tem produzido para atacar a Globo, tudo na esteira de uma denúncia do MP estadual, acatada por juiz, e por relatórios do COAF que contestam a contabilidade da Record junto à Igreja Universal.

Trocando em miúdos, é mais ou menos isso que tem motivado o noticiário da Record, disposta a ressuscitar antigos vexames da Globo e novas denúncias (ontem, a Record levantou uma lebre interessante: o terreno da Globo, em SP, na Berrini, dispõe de uma larga praça que era pública e teria sido gentilmente cedida pela Secretaria de Planejamento do Estado aos Marinho).

Disse que tentei me fazer de poste porque postar qualquer coisa sobre o assunto acaba motivando comentários que beiram o preconceito religioso, e isso é conteúdo bem delicado de editar; teria preferido me abster.
Mas como os interessados em tocar nesse vespeiro procuraram espaço em antigos posts, pensei: não tenho como escapar.

Quanto ao programa de ontem, só fiquei com certa pena da Adriana Araújo, repórter que eu tenho em boa conta e a quem sobrou a espinhosa missão de entrevistar Edir Macedo, concluindo, ao final, que ele fez “revelações”. “Revelações”? No máximo, Macedo tentou explicar que aquele famoso “dá ou desce”, dito num antigo vídeo onde ele ensina seus súditos a cobrar os fiéis da Igreja Universal, não se referia a doações financeiras, e sim à entrega das pessoas à fé da igreja. Não convenceu ninguém, a não ser a própria funcionária.

Não há santos nesse duelo, bem entendido, e a Record pode até manter a estratégia de atacar a Globo, mas ao COAF e à Justiça, o discurso terá de ir além das obras sociais da Universal. Afinal, matemática é ciência exata: ou a conta fecha, ou não fecha.

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