Record acerta no conteúdo e tropeça feio na embalagem

Cristina Padiglione

30 de dezembro de 2008 | 16h17

A Record levou só 4 pontos de média com os super anunciados especiais exibidos ontem, dentro de uma faixa male male batizada como “200 Anos de História”.

Era tarde, vá lá. Começou às 23h36 e foi até 01h17, quando só os fiéis da Igreja Universal costumam sintonizar a Record.
Por que tão tarde? Por que queimar dois (bons) cartuchos em um único tiro, e por que esse título tão tosco? Quem se permite seduzir por algo que se chame “200 anos de História”? Que história é esta? O nome do enredo é o que convida a bilheteria, ora pois. E, afinal, o caso nem era sobre a chegada da Família Real ao Brasil, como poderia parecer.

Só mesmo a opção comercial (o título foi devidamente patrocinado pelo Governo do Rio de Janeiro) pode justificar a besteira de empacotar dois especiais numa única embalagem. Ali estava uma adaptação, bem-feitinha, honesta, nada pretensiosa, do conto machadiano “Os Óculos de Pedro Antão” e um documentário com reconstituição ficcional sobre o grande “Grande Sertão Veredas”. Vê lá se Guimarães Rosa merece horário de Igreja Universal?

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