Rafaela não é brinquedo

Rafaela não é brinquedo

Cristina Padiglione

09 de outubro de 2009 | 17h14

Emissários do judiciário e dos direitos da criança já se calçam para controlar os rumos que Manoel Carlos dará à pequena Rafaela, menina de 8 anos que a excelente Klara Castanho interpreta na novela “VIver a Vida”.

Uma menininha pouco ingênua incomoda muita gente mesmo.
Sempre se espera que uma garotinha de 8 anos seja a Bela Adormecida, nunca a Malévola.
E se não for nem uma coisa nem outra, vale? Que tal uma menina de verdade, como a própria Rafaela?

Rafaela não é a menina diante de quem os pais (e ela nem conhece o pai) fecharão o vidro do carro para que ela não veja crianças de sua idade a pedir esmolas no farol.
Rafaela não está nem no carro nem no farol, mas, de onde está, pode cobiçar a condição de estar no carro, por que não?
Rafaela é a filha que se torna a melhor companheira da mãe, daí aquela emancipação de criancinha que raciocina como adulto e, de novo, que incomoda muita gente.
Rafaela acompanha a saga da mãe em busca de uma graninha que lhes garanta o básico para sobreviver, mas, oba, não falta humor nesse cenário. Será que elas deveriam sofrer como num enredo mexicano?
Rafaela não tem babá ou o tal adulto responsável que há de arrancá-la da frente da TV quando os telejornais derem detalhes sobre Isabelas e Eloás. Por que há de se esperar tanta ingenuidade dela?

Rafaela, até aqui, é absolutamente verossímil. Deve jogar a mãe nos braços do ricaço Zé Mayer, não porque em novela do Maneco as mulheres já conheçam o poder de sedução do Zé Mayer desde criança, mas porque ele é o sujeito que há de melhorar a vidinha dela e da mãe.

É um valor a servir de exemplo? É evidente que não, mas o mundo real está repleto dele. Oxalá a gente volte a se espantar com esse tipo de pecado quando o protagonista da ação for o dito adulto e civilizado. Por enquanto, parece mais confortável cobrar das crianças a integridade que falta aos crescidinhos.

Feliz Dia das Crianças.

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