Poder Paralelo nem parece novela da Record

Poder Paralelo nem parece novela da Record

Cristina Padiglione

16 de abril de 2009 | 16h42

Os bons profissionais da Record que não se ofendam, pelamordedeus, mas é que, como já defendi aqui em relação ao jornalismo de lá, o campo da teledramaturgia também tem muito salário bom para a turma que sai na fita, e pouca atenção à peãozada que carrega o piano.

Assim, as novelas da emissora ainda estão mais para SBT do que para Globo. A textura de imagem, o figurino, a maquiagem, a iluminação, todo o acabamento, enfim, tropeçam feio na pretensão de quem está a caminho da liderança.
E, quando digo SBT, bem entendido, refiro-me ao período pós-Nilton Travesso, quando Silvio Santos aderiu sem receios ao padrão mexicano de fazer folhetim.

Dito isso, vamos ao maior mérito de Poder Paralelo, a novela que estreou terça-feira. Honestamente? É tão bem feita que nem parece novela da Record.
Quem vê a produção anterior, Chamas da Vida, e pega a outra começando, chega a pensar que trocou de canal sem perceber.
Gosto do texto do Lauro César Muniz, evidentemente superior aos roteiros habitués da casa, mas surpreende-me, sobretudo, a delicadeza na direção de Ignácio Coqueiro. Isso faz toda a diferença na qualidade perseguida pela Record.
Mas o figurino, mesmo aí, deixa a desejar.
A trilha sonora, ainda mal apresentada, já me ganhou com uma gravação de Insensatez na voz de Fernanda Takai.
E que seja jogado holofote sobre Gabriel Braga Nunes e Tuca Andrada. Eles dão à cena toda a tensão cabível nesse enredo a la Corleone.

A audiência foi de 13 pontos no primeiro capítulo e subiu para 15 no segundo dia, quando costuma ocorrer a síndrome da ressaca de estreia, que invariavelmente derruba a audiência de todo episódio 2.