“Passione” prima por elenco, item frágil em “Viver a Vida”

“Passione” prima por elenco, item frágil em “Viver a Vida”

Cristina Padiglione

11 de maio de 2010 | 20h07

Quando dei de cara com “Viver a Vida”, vinda no embalo daquelas dancinhas de “Caminho das Índias”, confessei aqui um certo abatimento, um desânimo mesmo com a falta de quem me comovesse na tela.
No lugar de Laura Cardoso, Lima Duarte e Tony Ramos, todos em tese coadjuvantes no folhetim de Glória Perez, encontrei só a Lília Cabral com chance de me comover.

Vá lá, o enredo de Manoel Carlos foi me empurrando para a frente da TV. Helena foi me atraindo cada vez menos, mas até que a Alline Moraes, o quase estreante Mateus Solano e a Natália do Vale aos poucos iam justificando o zapping para o canal dos Marinho.

Ontem, ao assistir a um clipão do início da novela que vem aí, “Passione”, by Silvio de Abreu, tive a certeza de que eu apenas fui me acostumando à ausência de atores incríveis na novela que acaba esta semana. Sim, sobrou estética e faltou maestria na interpretação de “Viver a Vida”, sem mencionar que José Mayer nunca foi tão “mais do mesmo”.

“Passione” impressiona, de cara, pela presença de dona Fernanda, a Montenegro, de Mauro Mendonça, de Elias Gleizer, de Leandra Leal, de Aracy Balbanian, de Tony Ramos, de Irene Ravache, de Bruno Gagliasso, de Marcelo Médici e de Vera Holtz, só para mencionar uma partezinha do cast. E tem Emiliano Queiroz, que afago reencontrá-lo em ação! Sempre me pergunto por que uma emissora que tem Emiliano Queiroz à disposição faz questão de trancá-lo em casa.

crédito: Renato Rocha Miranda/TV Globo
Passione
Tony Ramos e Aracy Balabanian na Toscana de Jacarepaguá

Que venha “Passione”.

Só não entendo como é que a Globo prima pelo cenário toscano, magistralmente reproduzido no Projac, em Jacarepaguá, zela por aulas de prosódia para treinar o acento italiano, investe em figurinos igualmente compatíveis com a cultura ítalo-brasileira, e permite que uma larga parte do elenco relaxe sua pronúncia no carioquês. Não defendo aqui a mediocridade do bairrismo, pelamordedeus, nem faço exigência exótica para o ritmo industrial demandado por uma novela diária, mas, pense: se é para acionar a licença poética e deixar que os atores cariocas emprestem livremente sua pronúncia a personagens paulistanos, para que queimar tempo, filme e dinheiro com esmeros itanianescos com a outra parte do elenco? Por que o ator que grava na Itália tem de falar com acento italiano e o que mora em São Paulo pode falar como carioca? Será que o salário é maior e ele tem de justificar? Não faz sentido.

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