Pantanal chega aos 12 de média no SBT

Cristina Padiglione

18 de junho de 2008 | 16h48

A reprise de “Pantanal” rendeu sua melhor média de audiência no SBT ontem, terça-feira: 12 pontos significam, na Grande São Paulo,672 mil domicílios, e tem sido resultado raro para a emissora em dias de semana.

O ponto alto do capítulo não foi a nudez de Paulo Gorgulho e Ingra Liberato, como hão de pregar os mais conservadores.

A grande comoção esteve na seqüência do parto de Juma Marruá, Cássia Kiss à frente: deitou-se numa canoa, fez o próprio parto, afagou a menina nascida e consumou seu plano de abandonar a criança numa canoa que já seguia rio abaixo, quando o bebê chorou e ela, arrependida, pôs-se a nadar para resgatar sua “mulherzinha”.
Brinquei de estátua diante da TV. Não consegui desgrudar os olhos da tela e, ao relatar minha reação hoje, entre os colegas de redação, constatei que o mesmo se deu em outros lares.
O que era aquilo? Show de interpretação, texto, direção e edição. E, como nas novelas, eu me vi falando sozinha: “genial, genial!”.
Veja no que dá ver muita novela…

E os olhos marejados de José Dumont? Juro que vi e não acreditei, como diz a música.
Acompanhei “Pantanal” pela exibição original na TV Manchete, em 1990 e, como metade do País, claro, curti muito a novela. Mas, ao rever uma seqüência como a de ontem, 18 anos depois, penso que a telenovela não se permitiu tanto como parecia se permitir à época do efeito “Pantanal”.
A Globo, embalada pela receita, recontratou o autor Benedito Ruy Barbosa e lhe deu espaço nobre (até emplacar na Manchete, ele só fazia novela das 6). Vieram “Renascer” (1993), que foi genial, e “O Rei do Gado” (1996), já mais pasteurizadinha (apesar dos fantásticos 4 primeiros capítulos).

Vendo agora, de trás para diante, a telenovela brasileira já dava marcha ré uma década depois do susto “Pantanal”, recolhendo-se à mesmice.
Revista hoje, “Pantanal” soa de novo como revolucionária. E a audiência, como da primeira vez, segue em curva crescente no SBT.

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