Pague para ver comercial

Cristina Padiglione

24 de novembro de 2009 | 18h48

O presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, tem na ponta da língua o argumento que justifica a presença de comerciais em canais pagos. Diz que é para não sobrecarregar a mensalidade do assinante.
Annenberg reivindica para a ABTA a condição de vítima do consumidor ofendido em pagar para ver programas repletos de intervalos comerciais.

Pois se você aí acha que já vê muita propaganda na TV paga, prepare-se. O lobby da indústria de TV paga tenta ampliar para 25% de toda a programação o volume de comerciais nos canais pagos no Brasil. Significa 15 minutos por hora, o que equivale ao mesmíssimo volume de publicidade permitido na TV aberta. A ideia está em debate para a PL 29, projeto de lei em discussão há quase dois anos e alvo de ajustes de todos os lados para tentar conjugar os interesses de todos – todos, digo, menos nós, consumidores.

De duas uma:
_ ou a conta de 25% em publicidade transforma o canal pago em canal “gratuito” (se os canais abertos sobrevivem com 25% de publicidade, pra que os outros cobrariam algo do nobre espectador?)
_ ou o consumidor poderia pedir seu dinheiro de volta assim que o total da publicidade vista em seus canais pagos ultrapassasse os 25%, e então essa conta haveria de incluir aquela montanha de canais de televendas, restringindo à quase nulidade os intervalos comerciais dos demais canais.

Naturalmente, os canais que não são de televendas, que têm orçamento, gastos e caixa absolutamente independentes, argumentariam que nada têm a ver com isso. Mas e o assinante, o que tem a ver com o pato?

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