Padrão internacional norteia seriados da Globo

Cristina Padiglione

10 de abril de 2010 | 14h24

A (por enquanto muito boa) avalanche de seriados que a Globo despeja na programação de 2010 tem mais do que interesse na audiência local. A emissora se calça no formato apresentado principalmente em “Força Tarefa”, “A Vida Alheia” e “Separação” para ganhar novo fôlego não só entre uma audiência local já não tão concentrada em novelas, mas também entre a plateia internacional, onde séries de ficção desse gênero são, sim, o que causam furor entre pogramadores do mundo todo.
Ainda que a Globo venda suas novelas para mais de 100 países, quase todos os clientes do plim-plim lá fora são TVs secundárias em seus respectivos territórios.

Para a Mipcom, feira que começa semana que vem em Cannes, disposta a reunir compradores e vendedores de audiovisual dos cinco continentes, a Globo leva seu competente catálogo de novelas (encabeçado aí por “Caminho das Índias”, vencedora de um Emmy no ano passado), mas também a excepcional “Som & Fúria”, série concebida pela produtora O2 de Fernando Meirelles, com base em uma produção original do Canadá. Até os canadenses reconhecem que a versão do Meirelles, com Felipe Camargo, Andréa Beltrão, Pedro Paulo Rangel e Dan Stulbach, ficou superior à matriz. E, apesar de todos os confetes merecidos pelo título e da aposta da Globo para levá-la aos estrangeiros, acredite, “Som & Fúria” pode não ganhar a planejada segunda temporada.
É que Manoel Martins, atual diretor da Central Globo de Produção, resiste um bocado ao projeto, contaminado pelos modestos índices de audiência registrados pelo programa.
Quer dizer, modestos para a Globo, bem entendido.
Mas, afinal, já não era tempo de a direção da Globo se convencer de que não terá nunca mais os 50 ou 60 pontos acumulados em produções do passado? Por que não aproveitar que o mercado publicitário ainda lhe dedica 70% de seu bolo para agregar valor e investir em programas de alta qualidade, com a tal da saudável diversidade?

Coragem, seu Manoel, coragem.

P.S. A propósito, gostei muito do novo seriado comandado pelo Falabella, “A Vida Alheia”: é quase tudo verossímil, e digo com conhecimento de causa.

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