Overdose de telematernidade made in USA

Cristina Padiglione

28 de agosto de 2006 | 20h16

Não é preciso genialidade para perceber que o tema maternidade lidera a preferência da audiência em um canal voltado exclusivamente para a saúde. Aliás, lar e saúde, como se rebatizou o Discovery Health, agora Home&Health.

Anuncia-se para setembro, do dia 1º ao 24, mais um festival do gênero. É o “Mês do Bebê”, avisam lá. Entre os segmentos da faixa, tem “Vida de Mãe”, “Central de Bebês”, “Família Encomendada”, “Mãe Modelo” e “A Chegada do Bebê”.
O diacho é que tudo que aqui chega dessa safra é made in USA, e ainda que bebês mereçam cuidados em comum em qualquer lugar do planeta, há de se filtrar o mar de diferenças que separa as nossas vidinhas da rotina norte-americana.
Tomemos só dois itens como exemplo: a alimentação (e aí focamos nas mães, não nos bebês, encontra aqui hábitos mais salutares) e a cesária, fazer ou não fazer, eis a questão. É de deixar os médicos locais de cabelo em pé o monte de partos naturais que o Discovery Home&Health despeja na tela das assinantes de TV no Brasil, país onde a cesária é sempre oferecida como primeira alternativa na maioria dos hospitais particulares, ou seja, aqueles freqüentados por quem paga para ver TV.

Ao Discovery, vale a sugestão: por que não aproveitar aquele fundo disponível pela Ancine, verba à qual só os canais de TV estrangeiros têm acesso para produções locais, e investir numa versão brasileirinha do cardápio predileto do canal? Mãe é mãe, vá lá, mas as neuroses têm lá suas nuances entre uma fronteira e outra.

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