‘O Rebu’ coloca direção em primeiro plano na estreia

‘O Rebu’ coloca direção em primeiro plano na estreia

Cristina Padiglione

15 de julho de 2014 | 11h40

A essência do enredo de ‘O Rebu’, obra de Bráulio Pedroso, lá nos anos 70, é forte o suficiente para comportar uma adaptação aos dias de hoje, com direito a selfies e muita exposição de toda a ostentação daquela festa nas redes sociais.
George Moura, responsável pela nova versão do texto, fez competentemente a parte que lhe cabe, deixando o precioso gancho do final do capítulo. Assegura, assi, a dependência do telespectador para o day after, como brilhantemente já tinha feito na série ‘Amores Roubados’, no início do ano, também vista em edições diárias.
Mas a grande estrela da estreia de ‘O Rebu’, ontem, na Globo, foi a direção. O acabamento, a interpretação dos atores, a concepção de luzes e filtros, a fotografia. Foi esse conjunto que se sobressaiu e impactou a plateia.
É uma subversão de valores.
A novela, afinal, sempre foi terreno muito mais do autor do que do diretor. No decorrer da trama, a posição do texto, e em especial do enredo que torna genial um folhetim baseado em uma única noite, há de se impor. Mas, para fisgar o público, quem deu a partida foi a direção.
Basta dizer que a grande festa de luxo interrompida por um corpo boiando na piscina tem a magia de entorpecer o telespectador. Contagia. Ao ver Vera Holtz, Cássia Kis e (até) Sophie Charlote sensibilizadas pela alta dosagem alcoólica da ocasião, o sujeito que está do lado de cá da TV, esparramado no seu sofá, vai também sendo afetado pelo teor etílico e por aquela luz azulada e esfumaçada de boa balada.
O ambiente da festa captura, fascina e põe à prova a sobriedade da própria plateia.

É a tecnologia a serviço do bom conteúdo, fazendo jus ao que se chama de “audiovisual”. Não basta ter uma boa história e saber contá-la. É preciso dar-lhe as cores e tons que ela merece.
Daí a percepção de que estamos diante de um produto mais próximo do cinema do que da televisão, e a presença de Walter Carvalho, diretor de fotografia da telona, nesse set, só endossa a tese. Assim como o diretor-geral de ‘O Rebu’, José Luiz Villamarim, e o autor, Carvalho também compunha o time de ‘Amores Roubados’, a melhor produção da televisão nacional, até aqui, em 2014.

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