O próprio Rafinha anuncia seu baixo ibope: 0,8 ponto

O próprio Rafinha anuncia seu baixo ibope: 0,8 ponto

Cristina Padiglione

28 de maio de 2012 | 10h03

Rafinha Bastos não aguardou pelo escárnio alheio. O próprio humorista foi ao Twitter e anunciou, em tom festivo, 0,8 ponto de audiência como saldo final da estreia do SNL, o Saturday Night Live, que a RedeTV! colocou no ar ontem à noite.

O SNL encontrou uma plateia quase deserta, nicho abandonado por todo um público que mudou de canal atrás do Pânico, hoje na Band. O programa tem potencial para alcançar pelo menos o dobro disso em curto prazo e até ir além, mas ainda carece de ajustes e, importante dizer, jamais dará à RedeTV! a audiência que o Pânico lhe conferia. São praias distintas de riso. O estilo de Bastos, ácido, é bem mais segmentado. Ontem, houve paródia sobre o depoimento de Xuxa e alguma agressividade para os padrões atuais de criação, quando tudo pede civilidade, educação e tons politicamente corretos. Nos idos do TV Pirata, certamente o SNL seria visto com mais disposição pela plateia, que hoje se recrimina por rir de personagens reais. A massa ri da caricatura do gay, da caricatura do jogador de futebol, da caricatura do político, da caricatura da apresentadora de TV, porém não se permite debochar, publicamente, da figura nominal, sobretudo quando ela se mostra fragilizada, como ousa Bastos. O Casseta & Planeta, ao imitar presidentes e outras personalidades, invariavelmente busca tom de tributo à fonte de inspiração, de modo que a “homenagem” se sobressaia ao deboche.

Pânico, na contramão do humor ácido que nem todo mundo hoje consegue digerir, adota o tom explícito da palhaçada. Como o ator canastrão, chega mais rápido ao coração do público (assim dizia, com razão, Nelson Rodrigues), embora não chegue assim tão impunemente ao coração de quem tem mais de 40. Mas quem se importa com o target 40+? A TV hoje está atrás do jovem, consumidor desenfreado e difícil de agarrar, atento que está a outras mídias.

Tudo isso dito, respeitando que o SNL aposte mesmo num humor mais ácido e que há público interessado nisso, a questão é encontrar bons roteiristas para tanto. É muito palhaço para pouco escritor. Quem quer espaço diante das câmeras, hoje, em geral, vê-se obrigado a escrever o próprio texto, mas raros são os profissionais que colocam um pé em cada canoa com êxito. E raros são os criadores que hoje se conformam e são felizes nos bastidores, já que escrever, sem dar a cara à tela, não rende proposta de comerciais ou shows de stand up.

Como diz o Boni, um Max Nunes não se encontra na esquina.

Só para ficar no caso da paródia da Xuxa, a esquete da Tia Penha, que Marcelo Médici encarna no seu eterno espetáculo, Cada um Com Seus Pobrema, não tem nada de Xuxa na caracterização, mas é pura Rainha dos Baixinhos na essência. E, dá de 10 a zero no quadro que o SNL promoveu ontem, protagonizado por Renata Gaspar, ainda que o alvo do SNL tenha sido o depoimento intimista da apresentadora, exibido no Fantástico.

 

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