O pior de “Revelação” não está no texto

Cristina Padiglione

09 de dezembro de 2008 | 01h41

Taí dona Íris Abravanel, assistida por arquibancada lotada de gente só à espreita de um tropeção para acusar: “olha lá, só escreve novela porque é mulher do patrão”.
É verdade que Íris Abravanel só tem uma novela no ar por ser casada com quem é, mas não se pode dizer, pelo menos ainda, que ela vacilou no campo que lhe cabe: o texto.
Também não se pode afirmar, longe disso, que sua novela de estréia, “Revelação”, lançada há pouco pelo SBT, seja uma maravilha.
Bom, faça-se a ressalva de que falamos cá de um só capítulo, mas é dessa prévia que a gente se alimenta para a tal primeira impressão (tomara que ela não fique, que eu bem que torço pela dona Íris).

Vamos ao ponto mais grave: não há um milímetro de intimidade entre o casal protagonista. Mocinho e mocinha estão como água e azeite, química zero. Qualquer par que tenha acabado de se conhecer na balada e esteja ficando pela primeira vez tem mais empatia que o da novela do SBT.

Outra: a montagem é ruim ruim muito ruim (e aí, sim, cabe lá alguma responsa da autora, mas não só dela). Os cortes são improváveis. Bruscas, as passagens de um ambiente a outro não favorecem em nada a chance de o telespectador embarcar na ficção.

E o que dizer da falta de sincronia entre áudio e movimento labial? Piada óbvia há de justificar esse, digamos, pequeno defeito, ao hábito “esSeBeTano” em exibir novelas dubladas (daí sem obrigação alguma com sincronia).
Dá pra salvar na edição? É claro que dá. É o mínimo que se pode fazer para não envergonhar aquela parte do elenco que fez sua cena com competência, casos do Antonio Petrin e da Cláudia Mello, só para citar dois nomes.
Males além disso já não oferecem muitas opções de solução. A novela está praticamente toda gravada.

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