O ônus de ser Fábio Assunção

Cristina Padiglione

13 de novembro de 2008 | 18h18

Em 1994, Gilberto Braga se viu forçado, muito a contragosto, a promover um incêndio na novela “Pátria Minha” para afastar Vera Fishcer e Felipe Camargo de cena. A conturbada vida do casal passou a afetar o expediente de gravações em estúdio, a ponto de atrapalhar o resto do trabalho. O autor não teve outra saída.

Faz tempo que a direção da Globo não se via motivada a tirar alguém de cena no meio da novela. Não qualquer alguém, que gente dada a coadjuvante nem chega a ser escalada quando mostra risco de azedar o tal trabalho em equipe. Afastar potagonista é caso de última opção, mas a própria escalação do ator dividiu opiniões na Globo (e entre os amigos dele) à época da escalação de elenco de “Negócio da China”. Muitos sabiam que Assunção, dispensado anteriormente de ser Dódi na novela “A Favorita”, não estava pronto para voltar ao foco.

A questão é de saúde. É grave e tem de ser tratada como tal, com todo o respeito que o cara merece. A torcida é grande: boa praça, bom caráter, bonitão, enfim, o que mais um sujeito como esse pode desejar da vida?, pergunta-se a massa. Pois é nessa percepção que mora o problema. É por obra desse conceito que até aos holofotes pareceu irresistível permitir que ele ficasse recluso por longo prazo.

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