O dia em que o SBT amanheceu Band

Cristina Padiglione

18 de maio de 2009 | 19h20

Foi em Cuiabá.
Aconteceu sábado.
Quem esperava encontrar o Dia de Princesa do Netinho no canal TV Cidade Verde deu de cara com o Raul Gil e seu banquinho.

O SBT queria que a transmissão de seu canal na região se restringisse à capital mato-grossense, mas a afiliada avisou que cresceu e não abriria mão de chegar a todo o Estado. A TV do Silvio, no entanto, batia o pé pelo território restrito, visto que tem acordo com outras 12 repetidoras do mesmo MT.

A Band é que se deu bem. O canal que ocupava até sábado restringia-se aos limites de Cuiabá e cedeu seu espaço a uma programação evangélica. Agora na TV Cidade Verde, o sinal da Band segue para todo o estado.

O SBT promete para dentro de 60 dias uma solução aos órfãos locais (uma delas seria a TV Pantaneira, de Gugu Liberato).
Fato é que a TV de Silvio Santos, com a perda de Cuiabá, enfileirou seu segundo apagão numa capital – a primeira é Florianópolis.

À repórter Alline Dauroiz, do Estadão, o dono da TV Cidade Verde, Luiz Carlos Becare, se queixou que as afiliadas do SBT estão à deriva. Disse que faz mais de dois anos que ninguém da rede se lembra de chamar os donos de afiliadas a São Paulo para discutir eventuais novidades na programação (o que, no caso do SBT, nunca é eventual, digamos).

Pô, Silvio, como diria aquele ex-presidente, assim não pode, assim não dá!
De que adianta convocar comitê para avaliar por que o SBT perdeu a vez para a Record, se nem a cartilha básica é seguida entre seus súditos? Veja a Globo, líder absoluta que é, todo dia a afagar o ego de uma de suas afiliadas em pleno “Jornal Nacional”, sob o pretexto dos 40 anos do noticiário. Pois se até a Globo tem esse cuidado, por que o SBT tropeça no be-a-bá? Assim, não há gol que emplaque. Nem tendo o Ronaldo como garoto-propaganda.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.