Novela didática

Cristina Padiglione

09 de dezembro de 2006 | 14h35

Inserida em novela, causa social sempre ganha um eco que campanha publicitária alguma consegue alcançar. Assim foi com a questão dos transplantes de órgãos, com crianças desaparecidas, com dependentes químicos e agora com a Síndrome de Down na novela das 9.

Mas um didatismo exagerado tem pontuado “Páginas da Vida”. Parece merchandising malfeito, como se o enredo mudasse de tom para o sujeito transmitir a sua mensagem. Assim tem sido nas questões do alcoolismo, da inclusão escolar, do interesse cultural do tal AMA, o centro de cultura por onde circula 90% do elenco, e da bulimia. Até que na questão do uso do preservativo Manoel Carlos tem batido com mais harmonia, mas agora entra em cena um portador de HIV e mais uma bandeira há de desfilar na história.

O grande número de causas sob o mesmo título é coisa de Manoel Carlos mesmo, não tem erro. O que às vezes dá fastio é o tom dos diálogos relacionados a tais episódios. A sutileza vem falhando, o que põe em risco a eficiência do recado.

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