“Não existe humor sem risco”

Cristina Padiglione

08 de setembro de 2010 | 23h03

Como prometi faz quase um mês, vamos transcrever aqui neste blog, em doses homeopáticas, a essência da boa prosa resultada daqueles três dias de Encontros Estadão & Cultura no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura, a começar pelo humor.
O encontro da vez, com os Bandeirantes Marcelo Tas, Sr. CQC, e Márcio Ballas, Sr. É Tudo Improviso, e mediação da Keila Jimenez, foi aberto por uma pergunta encaminhada por Chico Anysio, convidado que não pode comparecer, mas que topou enviar sua questão à dupla lá presente. Chico quis saber por que, se todos os canais de TV cresceram e se alavancaram graças ao humor, por que afinal não há mais humorísticos na TV, com tanta gente boa na praça?

E Marcelo Tas responde:
O humor, na televisão, tem uma área bastante delicada porque não existe humor sem risco. Talvez seja o tipo de programação de TV que envolva mais risco porque não tem receita, humor não tem fórmula. Você pode ter uma televisão que consiga desenvolver uma cultura de telenovela, por exemplo, e ir acumulando sucessos, claro que também não tem fórmula de sucesso pra novela, a gente vê pelas que estão no ar, que o pessoal está buscando encontrar de novo o sucesso, mas enfim, o humor talvez seja mesmo o mais inesperado dos gêneros, e tem que ter riscos, e aí talvez o Ballas seja um cara que possa falar disso porque o improviso, o próprio ato do palhaço, a situação cômica, ela não pode ser previsível, essa é a graça do humor, a gente tem que ser surpreendido. E a televisão, pra responder o Chico, que conhece isso muito bem, não gosta de ser surpreendida em alguns quesitos, no planejamento, na parte comercial, na parte de audiência e tudo mais. Então, vive-se um drama na televisão em relação ao humor especialmente, que eu acredito que se deva a isso.
Você precisa arriscar, as televisões inteligentes sabem disso, que sem risco ela não vai conseguir programas de sucesso, programas que chamem atenção, e ao mesmo tempo ela tem que medir um risco que envolve um sucesso ou um fracasso comercial, um problema editorial, porque vocês sabem que humorista é um bicho danado, às vezes acaba chutando o calcanhar de gente que não pode chutar, eu vivo isso quase diariamente no CQC.
Agora, o que eu acho que é muito legal de visualizar, e aí eu gostaria de me colocar na experiência que eu estou vivendo agora na Band, é ver que quando um canal se arrisca e aposta num tipo de humor mais pontiagudo, ele tem chance de surpreender muita gente. E eu credito isso à coragem da Band de visualizar o CQC como um projeto que estava na hora de ser feito no Brasil, É um tipo de projeto que estava . circulando por aí há muito tempo e a Band foi lá, bancou, e hoje administra com muito talento, é importante dizer isso: o CQC tem o talento de todo mundo que vocês veem na frente das câmeras, tem mais os outros que estão trás da câmera e tem também algumas empresas que gerenciam o sucesso desse programa, porque o sucesso do CQC é um problema também porque é um programa que se arrisca o tempo todo e às vezes cutuca interesses grandes, mas tem que cutucar.

Quem quiser ver a cena, e vale a pena, clica lá no

http://tv.estadao.com.br/videos,ENCONTROS-ESTADAO–CULTURA—HUMOR-NA-TV-QUAL-E-A-GRACA-PARTE-1,115023,253,0.htm

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