Multishow enfrentou imposições do staff de Paul McCartney

Multishow enfrentou imposições do staff de Paul McCartney

Cristina Padiglione

26 de novembro de 2014 | 13h46

McCartney

Não foram poucos os protestos nas redes sociais pela transmissão desordenada do show de Paul McCartney pelo Multishow, diretamente de São Paulo.

O canal teve que se adequar, quase de última hora, às imposições feitas por um técnico de som trazido da Inglaterra, por determinação do staff do ex-beatle.

Scott Rodger, o homem de McCartney presente na unidade móvel responsável pela transmissão, teve sua viagem bancada pela Globosat e chegou a São Paulo no sábado.

O Multishow havia explicado no ar e via Twitter que o show não seria ao vivo e seu início na tela aconteceria com um pouco de atraso, mas foi grande o volume de queixas pela interrupção abrupta da exibição, no meio da canção “Live and let die”. De um segundo para o outro, Sir Paul seria substituído pelo humor pastelão do Méier, com uma reprise do programa “Vai que Cola”.

Como ocorreu na turnê de 2011, o canal não tinha direito ao show inteiro. Ficou estabelecido que a TV poderia mostrar apenas 80 minutos de espetáculo e que a exibição não seria absolutamente ao vivo, mas com atraso de 20 a 30 minutos em relação ao espetáculo no Allianz Parque, em São Paulo.

Mas, diferentemente do que ocorreu em 2011, desta vez a equipe do ex-beatle queria que um técnico de confiança do artista operasse uma espécie de equalização de sua voz na transmissão para a TV. Foi daí que se decidiu pela vinda de Scott.

A equipe brasileira explicou ao técnico que seria impossível, durante a transmissão, mesmo com delay, fazer a “assinatura” de todas as canções, como ele queria. Trata-se de uma espécie de photoshop da voz, que regula o áudio do cantor na transmissão para a TV, para que o vocal fique na mesma altura dos instrumentos. É o tipo da coisa, explica ao blog Guilherme Zattar, diretor-geral do Multishow, que é imperceptível ao vivo, mas pode ganhar holofotes quando vai ao ar pela TV. “Então dissemos a ele: já que não vamos exibir o show todo, você vai determinando quais músicas você acha que estão ok para colocar no ar. Cortando uma música aqui, outra ali, esse atraso do show ao vivo foi diminuindo, mas então chegou o momento em que ele determinou que os 80 minutos já tinham se esgotado, e a gente teve que interromper no mesmo momento”, conta o diretor.

Da forma como aconteceu, melhor teria sido programar a exibição para o dia seguinte, reconhece Zattar, mas patrocinadores e público já estavam avisados sobre a transmissão quase ao vivo, quando surgiram as determinações de Scotch.

O diretor ainda pensa em acertar uma edição de acordo com a vontade do técnico, mas sem interrupção em meio de música, para levar ao ar.

Os problemas causados durante a transmissão deixaram a equipe do canal exaurida, dada a tensão do evento.

A imposição de um técnico de som, como fez McCartney, não é algo fora do comum, mas nem todo artista recorre a tanto. O próprio cantor, como já foi dito, não chegou a esse estágio em 2011, mas talvez tenha encontrado nessa alternativa um meio de sanar falhas técnicas de transmissão e assegurar seu vocal, agora com alguns anos a mais.

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