Eike Batista faz papel de Aprendiz no ‘Roda Viva’

Cristina Padiglione

01 de setembro de 2010 | 17h45

Sim, eu sei que estou atrasada, que todo mundo já teceu comentários, análises e afins sobre o novo Roda Viva, e quase tudo o que eu li é absolutamente preciso (digo, os textos de André Laurentino e de Silvio Mieli no Caderno 2, do Estadão, e de Bia Abramo na Folha).
Mas é que ontem fui interditada por uma otite insuportável, e só agora rascunho algo sobre o assunto.

Começo pelo fim. No último bloco, quando Marília Gabriela pergunta aos entrevisadores se eles ficaram satisfeitos com as respostas do entrevistado, e cada um vai lhe apresentando lacunas deixadas ao longo da conversa, tive a impressão de ver Eike Batista, o mais bem-sucedido empresário brasileiro atual, no papel de um daqueles aprendizes sabatinados por João Dória Jr. na mesa de reuniões de “O Aprendiz”. Porque o entrevistador fazia suas observações e a câmera, close no Eike, calado, resignado, como quem consentia as críticas. Outro entrevistador fazia suas reivindicações e o Eike, nada de tentar desfazer a má impressão. Como cena previamente combinada, ele só ao final de todas as queixas dos entrevistadores poderia responder algo.
Era Eike Batista no papel do aprendiz, não é uma pérola?

Ao cenário: Bacana, bonito e tal, mas nada original. Está mais para Canal Livre, da Band, do que para Roda Viva, da Cultura, salvo pelas tomadas de câmera feitas pelo teto do estúdio. Visto pelo plano horizontal, a semelhança com o Canal Livre é acentuada pela agora presença de um elenco fixo maior do que o elenco rotativo.
O cenário anterior, ainda que fosse sem o desnível entre entrevistado e entrevistadores, mantendo seus andares em círculos, conseguiria ser mais original. Aquela ferradura atual é disposição vista dia sim dia não na infinidade de mesas de debates promovidas pela TV francesa.
E, como bem disse André Laurentino no Caderno 2 de hoje, deu pena do Caruso, ali presente, a desenhar o entrevistado pelas costas. Êita coisinha infeliz. Também sinto falta, como o André, de ver o entrevistado girando sua cadeira. Roda que é redonda, ora bolas, tem de fechar.

No mais, a boa música de Chico Buarque passou por arranjo tão radical, que mal se ouvem os acordes que a identificam.
A audiência respondeu com 0,7 ponto, nada que alterasse o patamar das edições anteriores, mas acho que, com todas as perdas aqui citadas, a inquietude de Gabi para sugar entrevistados há de elevar esse patamar em curto prazo. Oxalá.

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