Miscelânea do Multishow reflete busca pelo consumidor perdido

Cristina Padiglione

10 de fevereiro de 2009 | 16h26

Alô, blogados, estamos de volta.

A vida de Amélia (munida de delivery, microondas, fogão elétrico e babá, fique entendido) estava ótima, não tenho de que me queixar, mas o retorno era carta marcada e cá estou.

Para a volta, uma informação de bastidores que pode afetar (será?) a tela da TV paga.
No comando do canal Multishow desde o seu nascimento, em 1993, Wilson Cunha foi aposentado pela GloboSat. Era o executivo há mais tempo no cargo, ou há tanto tempo quanto o próprio diretor dos canais GloboSat, Alberto Pecegueiro, que fica lá onde está.

De lá para cá, o Multishow tem se exasperado em capturar o jovem, alvo fácil para anunciantes, mas não para o controle remoto (esse pessoal tem tique nervoso diante da tela, é uma loucura mantê-lo sintonizado no mesmo canal por mais de 2 minutos).
Com todas as reformas praticadas nesses 16 anos, o Multishow há de se desdobrar em mais invenções suspeitas de atrair jovenzitos. O referencial passou a ser o mesmo da TV aberta, ou seja, Ibope, audiência, minuto a minuto, coisas conhecidas também como quantidade, item que trafega normalmente na contramão da qualidade.

Indício de que os números passaram a contaminar a programação também da TV paga está no orgulho que o Multishow tem em anunciar sua liderança no nicho dos canais por assinatura durante os 3 primeiros meses do ano. O mérito atende por Big Brother Brasil, menu donde o Multishow bebe para aqueles flashes ao vivo.

Apesar da minha aparente contrariedade com essa busca desenfreada pelo jovem, apresso-me em informar que entendo o caso. A TV paga, em suas proporções de audiência, é o meio mais afetado pelo crescimento da internet. Não foi por falta de aviso: enquanto o setor dificultava a flexibilização (odeio essa palavra) de pacotes de canais, fazendo o consumidor engolir cenas que não lhe interessam por preços nada módicos, a web cresceu, apareceu e botou no ar todo tipo de conteúdo por custos infinitamente melhores. Deu no que deu.

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