Mercadão carioca

Cristina Padiglione

09 de outubro de 2006 | 22h39

Há em São Paulo uma gama de atores que se curva com facilidade às imprevisibilidades de Silvio Santos por absoluta falta de opções. Ator da Paulicéia disposto a fazer TV, mas não a freqüentar a ponte aérea, só tem o SBT. É a única emissora que continua a produzir teledramaturgia em Sampa. O resto das cenas de ficção registradas do lado de cá da Dutra é obra da publicidade, que ferve em estúdios diversos espalhados pela cidade.

Neste momento, a mão-de-obra carioca dedicada ao ramo, em especial a técnica (digo, figurinistas, contra-regras, cenógrafos, maquiadores, câmeras, continuistas e o que mais se pode imaginar que está na sustentação da teledramaturgia) festeja a possibilidade de barganhar salários aqui e acolá na cidade do Redentor. A indústria lá abastecida pela Globo, além da facilidade de custos oferecida na locação de estúdios, tem pesado na decisão das paulistanas Record e Bandeirantes de produzir novelas apenas no Rio.

A Band informa que o custo da operação explica a ponte aérea. De mais a mais, a bela estética das esquinas e do clima cariocas supera nitidamente o cenário paulistano.
No caso da Record, soma-se a isso tudo a questão político-religiosa. A direção da casa gosta de argumentar que novelas com externas no Rio seduzem com maior competência o mercado internacional, mas a extensão da emissora do bispo Edir Macedo no estado com maior número de evangélicos tem lá sua interferência nisso.

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