Macedo aparece e discursa contra “monopólio”

Cristina Padiglione

27 de setembro de 2007 | 22h04

Edir Macedo disse agora há pouco, na inauguração da Record News, que o único objetivo de expandir o grupo de comunicação que comanda é acabar com o monopólio da informação na TV brasileira.

Não citou a Globo nominalmente, mas o termo “monopólio”, claro, não teve outra interpretação.

Depois de apertar o botão que colocou a nova emissora no ar, ao lado do presidente Lula, Macedo deu de cara com a nossa escudeira televisiva Keila Jimenez e lhe repetiu o discurso do combate ao monopólio.
Ao que ela rebateu: “Quando o senhor fala em monopólio, bispo, está se referindo à Globo?”
Macedo: “E que outro monopólio você conhece, minha filha?”

Mês passado, na sessão de descarrego que comandou na praia de Botafogo, Macedo divulgou entre os fiéis da IURD o tal carnê que visa a expansão da rede de rádios do grupo. Aos presentes, disse que tal crescimento era importante para difundir a evangelização.

E o que era, voltando à inauguração da Record News, a Fafá de Belém engantando o Hino Nacional, performance que ganhou fama naquele palco das Diretas-Já em 84? Uma tentadora teoria da conspiração diria que convém à Record remeter a um dos episódios que leva a Globo a se explicar até hoje: o fato de o Jornal Nacional de 25/01/1984 ter anunciado o comício da Sé como festa do aniversário de São Paulo. Na edição em questão, o pedido por eleições diretas para presidente foi só um adendo das comemorações.

Em tempo: Ao anunciar o novo canal, Celso Freitas se referiu à Record como “a segunda emissora mais vista do País”.
Há controvérsias. A Record obteve tal posto pela primeira vez no mês de agosto, entre 7h e 24h. Mas, a considerar a faixa das 6h às 6h, a vice-liderança nacional ainda cabe, segundo o último balanço mensal do Ibope, ao SBT. Informação de um lado só não é bem um modo confiável de combater monopólio de informação, né mesmo?

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