Karina Bacchi é exceção em reality show

Cristina Padiglione

12 Fevereiro 2010 | 16h58

Karina Bacchi ganhou a segunda edição do reality “A Fazenda”, na Record, esta semana.
Exceção à regra.

Até hoje, apenas duas mulheres, entre nove edições, ganharam o “Big Brother Brasil”: Gecilda, a babá Cida, que comoveu a plateia na 4ª edição, por ser alguém que de fato precisava do prêmio em dinheiro, e Maria Nilza, a Mara, também participante do reality por sorteio, em sua 6ª edição, igualmente representante de baixa renda. Ambas só entraram no programa porque foram sorteadas na hora em que a casa estava sendo aberta para uma nova temporada.

Ao perceber que a presença de participantes de baixa renda desequilibrava o jogo da TV em favor dos menos favorecidos na vida real, Boninho, o big boss, interessado que é em promover entretenimento e não necessariamente justiça social, aboliu os sorteios.

Na “Casa dos Artistas”, o primeiro reality show de confinamento no Brasil, via SBT, também deu mulher, mas, com todo o respeito ao carisma de Bárbara Paz, convém lembrar que a parada estava entre ela e Supla, outro querido daquela primeira rodada, mas longe de despertar no público (só pra lembrar de Boninho) o senso da tal justiça social. Ele era de família abastada. Ela, de posses modestíssimas. Além disso, Silvio Santos não abria votação para a massa. Atendia a meia dúzia de telefonemas e dava seu veredicto.

Resumo da ópera: a audiência de televisão no Brasil é essencialmente formada por mulheres (exceção aos jogos de futebol e mesa rendona, claro), mas a plateia feminina ainda é predominantemente machista, uma pena.
Mesmo Karina Bacchi, a mais nova representante dos campeões de reality, venceu André Segatti (veja, bem, André Segatti…) por 58%, fatia pouco folgada.