Karam esbofeteava machismo na lendária ‘TV Macho’

Cristina Padiglione

07 Julho 2016 | 16h17

Quando se anunciou a partida de Guilherme Karam, 58 anos, hoje, minha geração só pode se lembrar com saudade da TV Macho, quadro do TV Pirata apresentado pelo Zeca Bordoada, personagem do Karam.

Vamos lembrar também da “Divina Magda”, bordão que ganhou voz por ele em Meu Bem Meu Mal, novela de Cassiano Gabus Mendes, à personagem de Vera Zimmerman.

Mas a memória mais saudosista não se dá em razão da saída de cena de Karam, o que, na verdade, já acontecia há mais de dez anos, privados que fomos de sua presença, desde 2005, por uma doença degenerativa rara, a síndrome de Machado-Joseph.

O saudosismo que vem à tona é em razão das amarras politicamente corretas criadas em torno de toda a comunicação, em especial do humor, que certamente nos obrigaria a explicar e legendar um quadro como o TV Macho nos dias de hoje. Será?

Ainda que o Porta dos Fundos, via web, e o ‘Tá no Ar’, programa de Marcius Melhem e Marcelo Adnet na Globo,  tenham reaberto as mentes mais intransigentes em favor de uma liberdade que foi se oprimindo ao longo dos últimos 20 anos,  fico a pensar se um ‘TV Macho’ hoje seria devidamente prestigiado como o humor que condena seu alvo de deboche, e não como enaltecimento desse mesmo alvo. Vai que? Zeca Bordoada nos despertava para o ridículo do personagem, para o patético do machismo, mas tenho sinceras dúvidas sobre a compreensão da piada, num universo cioso de denúncias sobre violência doméstica e feminismo. No entanto, nada mais crítico a essas bandeiras do que o TV Macho.

Um brinde ao Zeca Bordoada.

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