JN, reforma de cenário que faz sentido

Cristina Padiglione

01 de setembro de 2009 | 16h00

Vamos e venhamos, o novo cenário do “Jornal Nacional” valeu a reforma.
Pense nas obras imaginadas pela concorência e pela própria Globo, em outros tempos, e repare como é fácil cair na tentação de escalar a tecnologia para fazer gol contra. Lembra daquele cenário gélido, com cara de nave espacial, que, ao custo de zilhões, promoveu a estreia de Ana Paula Padrão no SBT? Um desastre, devidamente aposentado pela TV do Silvio Santos quando Carlos Nascimento assumiu a bancada. O próprio Nascimento, antes de deixar a Band, chegou a trocar um cenário por outro, de efeito bem inferior, no “Jornal da Band”.

Reforma por reforma não traz audiência cativa.

O novo cenário do “JN” conspira muito a favor do evidente esforço do casal de apresentadores em se aproximar do espectador.
Lá embaixo do mesanino onde fica o par, bem ao fundo da redação, a reforma faz vazar um painel que pode ser usado para ilustrar a notícia anunciada. Em dado momento, quando Bonner dá uma informação sobre EUA, pronto, surgem as cores da bandeira norte-americana no dito fundão. Parece óbvio? Não é. Em televisão, toda linguagem visual que traga informação, sem poluir a imagem, é muito bem-vinda.
Mais: adorei as vinhetas à moda Google Earth, com foco partindo do globo terestre para um zoon na cidade onde o correspondente é chamado.
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A propósito dos 40 anos do primeiro programa em rede nacional do País, justamente o “JN”, que foi ao ar pela primeira vez em 1º de setembro de 1969 (o aniversário é hoje mesmo), William Bonner acaba de lançar um livro sobre o noticiário (“Jornal Nacional – Modo de Fazer”) e nos deu, ao Estadão, uma entrevista publicada no último sábado (29/08) no Caderno 2. Nela, o editor-chefe do “JN” admitiu que ele e Fátima estão “menos solenes”:
“Depois de tantas edições em que um estava na bancada e o outro estava fora (Copa do Mundo, morte de João Paulo II, eleições americanas em 2004 e 2008, ataques do PCC em SP, enchentes em SC) nós percebemos que é absolutamente possível apresentarmos o JN com menos “sisudez”, digamos assim, sem perdermos a seriedade. Nós nos tornamos menos solenes. E isso vai ficar mais evidente com o cenário novo”.

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