Insensato Coração, agora sim

Insensato Coração, agora sim

Cristina Padiglione

10 de fevereiro de 2011 | 17h19


Foto: Alex Carvalho/Divulgação

Em novela de Gilberto Braga, com todo o respeito ao Ricardo Linhares, coautor nesta Insensato Coração, todo capítulo embute uma frase boa de ser aplicada à vida.

Tenho apreciado personagens, atuações e texto da atual novela das 9 da Globo.

Embora goste da histeria de Débora Evelyn, do cinismo de Natália do Valle, da cafajestice que José Wilker expressou em breve participação, da honestidade mulherenga de Lázaro Ramos, da falsa resistência de Camila Pitanga ao romance, da complacência de Ana Lúcia Torre a tudo e todos (que grande personagem, essa tia!), é evidente que a trama que há de instigar a audiência diz respeito ao envolvimento entre o Léo de Gabriel Braga Nunes e a Norma de Glória Pires.

Já se tem ódio do vilão por vê-lo fazer mal a figura tão querida como a Glória (“Glorinha” para os colegas). Só se, no delírio de quem mistura vida real e ficção, a gente imaginar que ela merece comer o pão que o diabo amassou por ter sido aquela filha ingrata que Fátima Acioli foi para Raquel, situação agora em reprise pelo canal Viva.

Mas a Glória que nos convence de caráter tão distinto a cada personagem, essa Glória feita de Norma, vítima tão frágil que foi do monstro em questão, ah, isso não. Morte ao Léo. Se é para delirar de vez na confusão entre ator e personagem, vá lá, sou tomada por ódio ao Gabriel.

Ao que interessa: o fim da fraude Armando, nome dado por Léo à ingênua Norma, valeu 33 pontos de audiência à novela em São Paulo, no capítulo de ontem. O folhetim está longe de superar os 40 pontos, patamar que ainda se espera ver numa novela da Globo no horário, mas Passione, que começou com morte e golpes ainda mais milionários, demorou a bater nos 42 pontos.

A trilha de Satisfaction bem que glamuriza o mal do vilão, mas fisga o espectador. Em Celebridade, a pérfida Laura Cachorra de Cláudia Abreu também tinha seus passos embalados por Rolling Stones, numa regravação de Simpathy For The Devil. (que eu, no original deste texto, chamei pelo refrão, Please To Meet You, e fui prontamente corrigida por um colega, amém e obrigada).

No capítulo de ontem, ao ser encontrado por Norma em seu fétido quartinho de hotel e receber dela a maldição de que ele há de pagar pelo mal feito, Léo lhe responde com genial aval católico: “Eu rezo um Pai Nosso e Três Ave-Marias e Deus me perdoa”.

Satisfaction total.

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