Guerra dos Sexos faz caricatura de si

Guerra dos Sexos faz caricatura de si

Cristina Padiglione

02 Outubro 2012 | 00h17

Raphael Dias/Divulgação

O primeiro mérito da Guerra dos Sexos 2012 é afastar qualquer hipótese de ser cobrada por realismo. Naturalismo, essa onda que assola o melodrama nas novelas, é termo ausente aqui. Tudo, na releitura de Silvio de Abreu e Jorge Fernando, é exagerado. Tudo é caricatura, comédia rasgad, sem pudor de se assumir como charge do tema.

Só neste primerio capítulo, tivemos um quase acidente de carro, um acidente na feira, uma troca de objetos de peso entre Charlô/Irene Ravache e Bimbo/Tony Ramos, uma torta na cara de Edson Celulari, por ação de Glória Pires, e vá lá, algo viável, um infarto no meio de um quase casamento. Haja incidente. Haja acidente.

Drica Moraes, no entanto, no seu sotaque mooquense, com pausa precisa para fazer rir, não é caricatura. Sim, aquela figura, que foi Yara Amaral no passado, continua a existir, talvez em idade mais avançada que a mocidade de Drica, mas é perfeitamente identificável nos redutos onde bem vingou a herança dos italianos na Pauliceia, em especial daqueles procedentes de Nápoles.

A condição de caricatura se acentua quando damos de cara com a loja de Bimbo e Charlô, espécie de Gallerie Lafayette francesa, que aqui só há de remeter nossa memória aos tempos da Mesbla, do Mappin (sim, a fachada e seu entorno, visivelmente inseridos em computação gráfica, estão mais para Mappin) ou Sears,inspiração da primeira versão.
Dar de cara é expressão mais apropriada para quem revê, algumas décadas depois, o pessoal da Cor do Som em cena, todos com seus 20 anos a mais, sem mais as jubas de leõzinhos de outrora. Que pena. O tempo passa para todos, e até que, para duas décadas passadas, a banda não está mal na foto.

Pastelão se endossa na sua melhor forma. Se a releitura celebra o início do pastelão na faixa das 7, amém, temos esse menu em sua essência.
Some aí o cuidado, calculado em mais detalhes do que possa parecer, de manter diante da tela as crianças que tanto se encantam com novelas das 7. A abertura, em animação, é só o indício mais evidente de tal propósito.

Mais conteúdo sobre:

Guerra dos SexosnovelaTV Globo