Globo não se conforma com recusa de Lula

Cristina Padiglione

30 Setembro 2006 | 13h44

Antes de mais nada, a Globo tem toda razão em bater na tecla da ausência de Lula no debate realizado quinta-feira. O candidato que falta tem de arcar com o custo da recusa, mas da recusa a um debate, e não da recusa a um convite da Globo.

Ora, se a intenção do evento era ajudar o eleitor a tomar uma decisão, como nobremente anunciou William Bonner nas chamadas pré-debate, por que a repercussão do encontro nos noticiários pós-debate enfatizou tão somente a ausência de Lula? Se era para auxiliar o eleitor, por que não abrir, às propostas de governo de quem compareceu ao debate, o mesmo espaço consumido por esses na indignação causada pela ausência do petista?

O cano dado por Lula na Globo virou “informação” mais importante do que as idéias de quem se deu ao trabalho de comparecer.

Há um componente de soberania inconteste exibido pela Globo nas edições pós-debate (mesmo com o cuidado de não editar mais trechos do encontro propriamente dito para não reincidir no equívoco de 89, quando a vitória de Collor sobre Lula, em 3 x 1, foi ao ar no Jornal Nacional como se fosse um placar de 8 x 0).
A Globo age como se o pecado de Lula fosse a recusa a um convite seu, e não a recusa ao debate. Fosse isso a informação mais relevante para o voto, a Globo teria se omitido ao não destacar em seus noticiários a ausência de Lula nos debates da Bandeirantes e da Gazeta. O alcance de público é menor, claro, mas o fato relevante é a fuga para debater, seja na Globo, ou na Gazeta.