Como o Ganges desagua em Jacarepaguá

Cristina Padiglione

22 de agosto de 2009 | 14h52

A Globo promoveu ontem um roteiro que batizou de Tech Day para apresentar a um grupo de jornalistas o novo centro de pós-produção montado no Projac.

Depois de passar por ali e ver como foram feitas sequências como aquele tiro que atingiu Odilon Wagner num capítulo de “Caminho das Índias”, na semana que passou, e o incrível acidente de carro com uma Brasília azul para a filmagem da morte da cantora Maysa na minissérie de Jayme Monjardim, comecei a me arrepender de lá estar.

Fui perdendo as ilusões que ainda me restavam com a TV. Confessei ali mesmo que o tour estava acabando com o encantamento que tenho em ver TV, em avaliar o trabalho artesanal de diretores, maquiadores, iluminadores, e cheguei a dizer isso ao simpático Paulo Henrique, profissional da casa que foi nos explicando como o Centro de Pós-Produção pode criar efeitos, melhorar cores de imagens por meio de vários tratamentos ou mesmo sobrepor outras paisagens a cenas previamente gravadas em cenários distintos (como o rio Ganges, inserido no laguinho do Projac para a mesma novela das 9).

É claro que não vou deixar de admirar a carpintaria televisiva porque a tecnologia tem condições de aprimorá-la por computador. Afinal, os sujeitos que ficam lá 11 horas diárias ajustando cores e áudios (inclusive com o trabalho, super artesanal, da era do rádio, chamado sonoplastia) também são, de alguma forma, artesãos. Mas que, ao sair do edifício onde estão as modernas ilhas de edição, protegidas da luz do dia, e dar de cara novamente com o céu real do Rio de Janeiro (piorado ontem por um dia chuvoso), não contive o comentário ao Paulo Henrique: vem cá, não dá pra melhorar a cor desse céu?

………………………POR FALAR NISSO…

Falando nos efeitos que a tecnologia hoje tem condições de levar à tela do espectador, é de se perguntar: por que a iluminação da novela da Record, “Poder paralelo”, é tão ruim? Não precisa ser Globo para alcançar um bom efeito estético: repare como o tratamento de imagem de “Vende-se um Véu de Noiva”, no SBT, tem excelente qualidade. No caso da iluminação de “Poder”, é provável que nem os mais modernos tratamentos de imagem possam fazer muito. O erro está no estúdio.

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