Globo anuncia os planos para 2014 no ‘Vem aí’. Ou seria ‘vaivém’?

Globo anuncia os planos para 2014 no ‘Vem aí’. Ou seria ‘vaivém’?

Cristina Padiglione

03 de abril de 2014 | 04h03

Só faltou o Caetano Veloso pra dizer: “Globo, bota essa porra pra funcionar”, como o músico fez com a MTV em 2004, por ocasião de uma única falha de som ocorrida em 18 espetáculos transmitidos ao vivo, com performances e shows musicais para a premiação do VMB, o Video Music Brasil.

Abaixo, a cumplicidade entre os ‘amigos de caçamba’ Mateus Solano e Klara Castanho durante a festa.

 

O “Vem Aí”, anúncio da programação do ano que a Globo vem transformando, desde o ano passado, em programa para seus telespectadores, terminou há pouco, no City Bank Hall (ex-Credicard Hall), e foi repleto de falhas de microfones, erros de entrada em cena e texto espontâneo atropelado pela direção do espetáculo.

Miguel Falabella fez a sua graça com Fernanda Torres, mas recebeu, pelo áudio ao alcance de toda a plateia, o pedido do diretor para refazer sua fala, “seguindo o texto”. “Isso foi uma dura”, reagiu Vladmir Brichta, também ao microfone com alcance para todos. Falabella obedeceu, mas entrecortou o texto do script com a ironia que faz dele uma figura divertida. “Tô natural, agora? Ah, agora tô muito natural”, debochou.

Não é possível, a essa altura, saber o que vai para a mesa de corte, mas a encenação toda foi muito longa, repleta de pedidos para que cenas fossem refeitas, ou pelo microfone que falhou, ou pelo texto, em desacordo com a vontade do diretor do show.

Oxalá a coisa seja mais leve para o espectador e o programa, a ser exibido hoje à noite, se salve na edição. Mal roteirizado, o espetáculo foi cansativo, devido não só às regravações. A maioria dos artistas não se mostrou à vontade. Quando confiava no improviso e tom mais coloquial, como aconteceu com Falabella, a espontaneidade desaparecia na segunda tentativa de gravar o mesmo texto. Em tom de jogral, o show deu status de figuração a estrelas como Fátima Bernardes, William Bonner, Patrícia Poeta, Ana Maria Braga, Fausto Silva, Marieta Severo e Marco Nanini. O time entrava no palco, falava meia dúzia de palavras, e se retirava.

Isso porque tivemos a habilidade de Leandro Hassum, Tatá Werneck e Marcelo Adnet no comando do show e alguma graça sobrou do trio.

Um dos momentos altos da noite foi a presença de André Marques, que surgiu, bem repaginado, 60 quilos mais magro, ao lado de Fernanda Lima. A dupla apresentará o novo reality musical,Superstar.

Adnet fez menção ao bom Funk da Gaiola das Cabeçudas. Tatá lembrou Valdirene ao se insinuar para Ronaldo. Hassum salvou vários momentos da noite e matou o público de rir com uma imitação de Lulu Santos no ‘The Voice’, onde Adnet fez também boa paródia do inquieto Carlinhos Brown.

No quesito programação, quase nenhuma novidade há de impactar o espectador. Tem o ‘SuperStar’, reality show com bandas, já citado acima, o remake de O Rebu, um seriado com Heloísa Perissé fazendo dois papéis e novos quadros no Mais Você, Faustão, Altas Horas e Caldeirão do Huck.

No mais, tudo se resume a Copa, eleições, ‘Tapas e Beijos’, ‘Pé na Cova’, ‘Profissão Repórter’, ‘Globo Repórter’, ‘Fantástico’ (todos já conhecidos pelo público), e ‘Tá no Ar: A TV na TV’. Também se apresentou a minissérie ‘O Caçador’, mas o que poderia ser um trailer mais prolongado, já que o produto está pronto e estreia no dia 11, veio misturado a uma coreografia de Secos & Molhados, tendo Ney Matogrosso na plateia – e não no palco.

A próxima temporada do ‘The Voice Brasil’ estreia em setembro.

E teve ‘A Grande Família’, claro, tratada com honras de quem se despede da programação este ano. “Dizem que um dos personagens vai morrer”, disse Pedro Cardoso/Agostinho.

Por causa de tantas cenas regravadas, houve quem já tenha apelidado o espetáculo de ‘vaivém aí’, e não foi só pelo quesito técnico. O programa, que deveria se concentrar em apresentar as novidades do ano, permitiu-se ser consumido, em boa parte, pela lembrança do beijo gay que ficou para trás, entre Mateus Solano e Thiago Fragoso. O episódio foi pretexto para piadinhas referentes ao conteúdo futuro, mas sua origem não vem aí: já foi.

Mas o reforço da lembrança pelo beijo gay tem uma razão de ser: representa o esforço da emissora em avisar que está em “movimento” e acompanha as mudanças do mundo, recado explicitado pelo diretor geral Carlos Henrique Schroder na abertura do show.

A seguir, frases e episódios da noite:

“(…) o Fagundes, todo mundo esculta ele aqui” (Hassum, em referência ao ator que liderou um movimento entre os atores da casa para garantir cachês extras para tantas participações fora do horário de trabalho e melhores condições de expediente).

“Tô evitando esses eventos corporativos porque a minha situação aqui tá meio complicada” – Adnet

“O Tony é o homem bom das novelas. O dia em que ele mater alguém, o mundo se acaba” – Patrícia Pillar, sobre Tony Ramos.

“Eu já pedi aos autores e diretores de novelas para fazer um serial killer,mas ninguém me ouve.” Tony Ramos, sobre a fama que carrega.

“Podia doar o guarda roupa antigo?” – Hassum ao agora magro André Marques.

“Tá querendo dar o primeiro beijo gay da ‘Grande Família’? Sai pra lá. Tá vendo novela demais” – Paulão (Evandro Mesquita) a Tuco (Lúcio Mauro Filho)

“Pior figurino pra gordo é branco. Estou me sentindo um pedaço do cenário de ‘Meu Pedacinho de Chã’ – Hassum, todo vestido num terno branco, como Adnet.

A safra de filmes da temporad ainclui ‘Rede Social’, ‘Os Segredos dos seus Olhos”, “Hugo Cabret”, “Rio” e “Os Mercenários.”, entre outros tantos.

 

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