Gabriela: é muita poeira para tanta cor

Gabriela: é muita poeira para tanta cor

Cristina Padiglione

19 de junho de 2012 | 15h33

Dentes branquíssimos denunciam que a Gabriela de Juliana Paes só teve chance de escovar a boca durante o seu trajeto de retirante, do sertão de sei lá onde, até Ilhéus, onde há de se colocar à disposição do turco Nacib.

Na nova novela das 11 da Globo, o azul do céu é mais azul, o tom alaranjado da aurora é mais laranja e a poeira que surra Juliana Paes é ainda mais escura, assim como os dentes brancos são mais brancos. Opa!

Noves fora, o ritmo do texto de Walcyr Carrasco respeita a cadência baiana de Jorge Amado, com bom dueto de direção amarrado com Mauro Mendonça Filho.

Ivete Sangalo é um achado. Canta, atua e ainda tem sotaque autêntico, livrando-se da cilada de quem aprende a falar “baianês” pelas aulas de prosódia da Globo.

Juliana Paes é o que é. Ainda não teve muita chance de dizer, dizer mesmo, a que veio, que neste primeiro capítulo foi explorada entre sorrisos, gestos sensuais e verbo quase nenhum.

Humberto Martins em nada lembra o Turco Nacib de Armando Bógus.

Antonio Fagundes em nada se parece com o coronel Ramiro de Paulo Gracindo.

Mas ambos  valem a releitura do papel e da obra.

O melhor foi rever José Wilker naquele cenário. Ele, que já foi Mundinho, tão idealista que só vendo, ressurge sisudo, coronel com fome da mulher, que não pode se entregar a ele à luz do dia porque é moça “honesta”. Adorei.

A audiência fez 30 pontos de média, excelente patamar para o horário, na Grande São Paulo.

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