Foi bonita, a festa, pá, mas faltou transparência na final do ‘Masterchef Brasil 2’

Foi bonita, a festa, pá, mas faltou transparência na final do ‘Masterchef Brasil 2’

Cristina Padiglione

16 de setembro de 2015 | 02h14

izabel

A Band alcançou honrosos 10 pontos de média de audiência na Grande São Paulo com a final do Masterchef Brasil, em sua segunda temporada, nesta madrugada de terça. Mais: ficou quase meia hora (25 minutos) em primeiro lugar no Ibope, um feito para os padrões da emissora. É audiência digna de final de Copa do Mundo para a rede dos Saad. A primeira temporada, no ano passado, terminou com 8 pontos na última edição – cada ponto corresponde a 67 mil domicílios na região citada.

Mas não é porque a audiência foi um estouro e o passarinho/relógio do Twitter quase arrebentou de rodar, com mais de 1,2 milhão de comentários, que a gente vai bater palmas para todo o circo.

Antes de mais nada, como atriz, Izabel é uma excelente cozinheira.

A candidata que se debulhou em lágrimas durante toda a temporada, por cada degrau acima alcançado, recebeu com muito pouca surpresa a notícia, supostamente só anunciada hoje, de que era ela a vencedora.

Coincidentemente, não foi pequeno o diz-que-me-diz que já anunciava, há mais de um mês, que Izabel seria a campeã. Até num jantar de comemoração à vitória falou-se, à boca nem tão pequena, aqui e ali.

A notícia de que Izabel e Raul estariam na final vazou bem antes, por uma coluna de TV, e foi amplamente difundida no Google. Mesmo assim, quis acreditar que a final, de fato, só seria conhecida ao vivo, no último dia. Enganei-me.

A Band escorregou um bocado no quesito transparência. Gravou o 17º episódio para ser o último, mas, ao perceber que poderia lucrar com a exibição do reality por mais uma semana, estendeu a decisão para a terça-feira seguinte, dividindo aquele programa em duas fatias. Daí o figurino de hoje ser o mesmo da semana passada. Os modelos de todos os participantes eram razoavelmente neutros, mas o da apresentadora, Ana Paula Padrão, não – muito pelo contrário, o que fez por denunciar a tal coincidência, gerando comentários à parte no Twitter, Facebook e afins. Como eu já havia anunciado que haveria uma repetição de roupas, mal me incomodei, não me surpreendi, achei nada demais. A questão é que todos voltaram a usar os mesmos figurinos nos trechos ao vivo, na final, como se precisassem convencer o público de que tudo fazia parte de uma única sequência.

Não havia necessidade de ser tão fake.

Teria sido melhor botar outra roupa e esclarecer, de viva voz, e não apenas com selinho na tela, o que era ao vivo e o que já estava gravado, até porque o penteado de Ana Paula já não era o mesmo.

A decisão anunciada para Izabel poderia não estar gravada, mas é certo e cravado que já se sabia. Faltou espanto da vencedora e decepção do derrotado, por melhor que seja o humor de Raul.

E, embora a televisão não tenha cheiro ou paladar, toda a resposta do trio de jurados a Raul pareceu, aos olhos da audiência, superior à reação dos três aos pratos da vencedora. Era pegadinha com a gente? Tive a mesma sensação no duelo final da primeira temporada.

Um ponto a favor foi coroar todo o engajamento alcançado pelo programa no Twitter com o anúncio ao grande público feito pela rede de microblogs, em primeira mão. A piada, nas redes sociais, foi que, sendo postado pela TIM, patrocinadora nesta edição final, o anúncio não teve tempo de chegar à internet antes de ser conhecido pela TV, em razão da fama de má conexão da operadora.

Em tempo: Paola Carosella, assim como Paola Oliveira, só é chamada de “Paôla” aqui. É um nome italiano e, como tal, deve ser pronunciado como “Páola”, o que vai virar mesmo quase “Paula”. E antes que me digam que isso é preciosismo e estamos no Brasil, ótimo, podemos então pensar em chamar o francês Erick “Jacãn” de Erick “Jaquin”. Que tal?