“Filhos do Carnaval” alcança primor, sem abusar do make up

“Filhos do Carnaval” alcança primor, sem abusar do make up

Cristina Padiglione

16 de setembro de 2009 | 18h31

Foi na madrugada de segunda para terça-feira que escrevi a crítica de “Viver a Vida” para o Caderno 2, estampada abaixo.
Na manhã de terça, fui assistir aos dois primeiros capítulos da nova safra de “Filhos do Carnaval”, produto da HBO encomendado à O2 Filmes, com direção do Cao Hamburger.
Affe, que alívio em ver “Filhos”.
A concepção de qualidade audiovisual não podia se resumir àquilo que a Globo exibira na sua nova novela das 9 na véspera. A tecnologia, em “Viver a Vida”, vem sendo usada para fazer gol contra, mas vai que a audiência goste? Permito-me duvidar. É evidente que é mais fácil retratar gente como a gente numa série como “Filhos do Carnaval”, que teve sua primeira temporada protagonizada por Jece Valadão, do que num folhetim onde José Mayer é o perfumado, rico e sedutor protagonista. Lógico: há mais Jeces por aí do que Mayers. O caso é que a alta qualidade está arrasadoramente presente em “Filhos do Carnaval”, e aí, digamos a verdade, é mais difícil exibir primor técnico (luz, fotografia, cenários) no submundo do jogo do bicho do que no abastado reino de Búzios, retratado pela Globo.
E digo fácil: “Filhos do Carnaval”, do cemitério à quadra da escola de samba, do barraco ao sobradinho, é obra-prima, do roteiro à finalização, sem perder de vista a interpretação uterina do elenco. Tem ritmo de cinema, vá lá, vantagem que novela, inserida na pegada industrial dos capítulos diários, não tem. Mas é constrangedor ver aquelas personagens que não vivem, flutuam o tempo todo.

“Filhos” estreia dia 4 de outubro na HBO. Chega em boa hora para referendar o audiovisual nacional.


Olha aí o Walmor Chagas, desapegado de sua vasta (e invejada) cabeleira branca, para viver o irmão do bicheiro Anésio Gebara, papel que foi de Jece Valadão.

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