Ficção tem limite? “Avenida Brasil” virou conto da Carochinha

Ficção tem limite? “Avenida Brasil” virou conto da Carochinha

Cristina Padiglione

13 de setembro de 2012 | 22h47

João Miguel Jr./Divulgação

 

Desde que inventaram o teste de DNA, o celular, o e-mail e outras obras da tecnologia, ficou mais difícil crer em novela que ignora tais adventos. Que negócio é esse de a Nina/Débora Falabella ter de entregar cópias das fotos que incriminam a madrasta Carminha/Adriana Esteves a amigos, a fim de manter segurança sobre as provas que perseguiu pela novela toda, na nossa estimada Avenida Brasil? Pode ela deixar cópias com amigos e pessoas de confiança? Pode, claro, mas por que não preservar isso num e-mail? Alô, Nina, Jorginho/Cauã Reymond, alô, João Emanuel Carneiro, já ouviram falar em caixa de mensagens? Salvem as fotos numa mensagem.

A ver, outros conflitos que carecem de veracidade para tornar a ficção mais bem elaborada:

1) Se Nina perder as provas entre Max e Carminha, qual o problema? Basta que Jorginho pegue lá um fio de cabelo do papai Max/Marcello Novaes e prove que ele é seu pai. A casa cai ou não?

2) Por que Nina, traumatizada desde a infância com essa história de gente que é assaltada ao sair do banco com grande quantia de dinheiro, sempre por uma moto com dois indivíduos, foi buscar sua herança no banco e deixou o estabelecimento a pé, com sacolinha na mão? Por que não ir de carro? A agência não tem garagem? Ela não tem conta em banco?

3) Nina e Jorginho amam Tufão/Murilo Benício, mas permitem que ele faça papel de idiota em tempo integral, esse papel a que o espectador assiste e testemunha, quando Carminha o chama de corno para o amante Max. Por quê? Que amor é esse? O mocinho da história precisa mesmo ser um banana?

Tudo bem, é tudo ficção e, para a ficção, não há limites. Mas o consumidor do filme, do livro ou mesmo da novela há de reivindicar o mínimo de coerência com o enredo. Harry Potter é mais coerente que Avenida Brasil. Cada vassoura que deixa de voar, cada Voldemort que surge nos pesadêlos do garoto são milimetricamente justificados e sustentados em bons argumentos. Uma novela que retrata a real classe ascedente, o amor ao local onde essa classe vive, como bem espelha o Divino, uma mocinha cheia de dualidades, como é o ser humano, desculpe, haverá de ser cobrada pela tecnologia ali ignorada.

Nina, arruma um e-mail e uma agência com garagem ou uma conta bancária, por favor.

Jorginho, DNA neles.

Sou fã número 1 de Avenida Brasil para me deixar levar por um conto da Carochinha. Soluções fáceis são para novelas mexicanas, não para um João Emanuel Carneiro.

 

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