Emmy 2013: ‘Lado a Lado’ atropela ‘Avenida Brasil’. E Fernanda Montenegro enfim leva o seu caneco

Emmy 2013: ‘Lado a Lado’ atropela ‘Avenida Brasil’. E Fernanda Montenegro enfim leva o seu caneco

Cristina Padiglione

26 de novembro de 2013 | 09h07

Vendida para 117 países, sendo hoje a novela mais exportada na história da TV brasileira, ‘Avenida Brasil’ era a favorita, ou a nossa favorita, ao Emmy de novelas deste ano.

Não levou.

O troféu, anunciado na noite passada, em Nova York, ficou com ‘Lado a Lado’, novela que retrata o Rio de Janeiro dos anos 1903 a 1910, com ênfase na primeira geração negra brasileira livre da escravatura, no nascimento das favelas cariocas, no surgimento do samba e na chegada do futebol, então um esporte elitista, que não admitia a presença de negros.

Primeiro trabalho solo de João Ximenes Braga (ex-colaborador de Gilberto Braga, com quem assinará a novela das 9 em 2015) e Cláudia Lages (ex-colaboradora de Manoel Carlos), ‘Lado a Lado’ foi de fato uma produção bem alinhavada, sem furos históricos e com toda a alegoria que a ficção pede, do início ao fim. Tinha Lázaro Ramos e Camila Pitanga, Marjorie Estiano e Thiago Fragoso, mais Patrícia Pillar, sob o comando de Dênnis Carvalho.

Novela das 6 só padece de um sofrimento: ser a mais ignorada das novelas pela mídia, já que vai ao ar em pleno horário de expediente e mal é vista pelos jornalistas.

Taí o Emmy para resgatar ‘Lado a Lado’ ao posto que ela merece.

Abaixo, Cauã Reymond veste seu melhor smoking para representar a Globo, que é membro da Academia responsável pela organização e escolha do prêmio. Ele esteve na cerimônia para entregar troféu e cumprimentou a vencedora do Emmy de atriz, Fernanda Montenegro, que aparece na foto com Euclydes Marinho, autor da série ‘O Brado Retumbante’, finalista em outra categorias.

Já Fernanda Montenegro, premiada pelo especial ‘Doce de Mãe’, de Jorge Furtado, que ganhará uma extensão no calendário de especiais deste ano na Globo, chamou a atenção do mercado internacional desde o dia de sua indicação, anunciada durante a feira o MipCom, em Cannes, em outubro. A informação veio logo associada a outra performance de dona Fernanda no exterior, dada sua nominação ao Oscar de Melhor atriz, lá em 1998, pelo filme ‘Central do Brasil’.

Naquele ano, ela perdeu, e muito injustamente, para Gwyneth Paltrow, por uma insossa protagonista de ‘Shakespeare Apaixonado’. Sem comparação.

Dona Fernanda toma agora o seu caneco de Emmy, mas, se o mundo das premiações fosse justo, ela já teria seu Oscar na prateleira de casa.

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