Fátima Bernardes: Encontros e Desencontros

Fátima Bernardes: Encontros e Desencontros

Cristina Padiglione

03 de julho de 2012 | 01h55

JOÃO COTTA/DIVULGAÇÃO

 

Muita gente passou a semana me perguntando o que eu achei do programa da Fátima Bernardes.

Gostei, digo. Acho que ainda falta a ela uma pegada de Astrid ou de Marília Gabriela, que têm a capacidade e a liberdade, principalmente, de se emocionar, de se comover com o que merece uma interjeição, um ponto de exclamação, uma reação de quem realmente parece grata ao entrevistado por ele lhe ter confiado um desabafo extraordinário. Não se fica 13 ou 14 anos à frente do Jornal Nacional impunemente. Astrid nasceu repóreter abelha, foi da MTV, fez tudo fora do padrão imposto às arestas televisivas para ser quem é. Gabi, idem, de repórter, por breve período, a âncora de TV Mulher, trilhou outra via. É nelas que Fátima precisa se mirar agora, com todo o carisma que Deus lhe deu. Sim, porque não adianta a figura mirar na Gabi e na Astrid se não for alguém digno de emocionar a massa. Fátima pode mais.

Quanto a cenário, iluminação, disposição da plateia, tudo isso é mutante e mutável, pode variar dia após dia, com o louvor de quem se dá ao luxo de não se repetir. Vale atenção e sensibilidade às pautas. E o resto é azeite:marinar é preciso, ainda mais quando se troca uma programação para crianças por um cardápio para mães e família adulta de um dia para o outro.

Se fosse questão de remexer no programa por estar perdendo para o SBT, ora, ora, a Globo teria de voltar a ser criança no horário. Se a opção é pelos maiores, bora assumir tal decisão. A verdade é que as restrições à publicidade infantil, e o cerco vem aumentando por parte da legislação disposta a proteger crianças e adolescentes das tentações do consumo, já não vinham rendendo à Globo nenhuma compensação para abraçar o público infanto-juvenil.

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