Fábio Assunção admite dependência química

Cristina Padiglione

13 de setembro de 2009 | 23h59

Em entrevista a Patrícia Poeta exibida há pouco e disponível no site do Fantástico, um Fábio Assunção ligeiramente mais cheinho, de bigodinho de época (caracterização para a minissérie “Dalva”, que a Globo exibirá em janeiro) falou pela primeira vez, publicamente, sobre sua dependência das drogas.
“Eu me tornei dependente químico”, disse o ator.
Contou que isso já acontece há alguns anos, “mas há 3, 4 anos é que a coisa começou a ficar mais difícil. Ficou difícil respeitar meus compromissos”. Já não sabia quando era terça, quando era quinta, se teria condições de ir gravar pela manhã. “Eu tinha medo de marcar um almoço”.
“Esse processo de droga é muito difícil dizer que não vai mais fazer”.
Ao filho, João, de 6 anos, que o tempo todo soube que o pai não estava bem, Fábio disse: “papai vai para uma clínica para aprender a dormir, acordar e comer na hora certa”.
O tratamento a que ator se submeteu logo após deixar a novela “Negócio da China” não foi a primeira tentativa de cura. Ele falou sobre a ida aos Estados Unidos após “Paraíso Tropical”, para internação numa clínica no Arizona. Ficou lá por 2 meses, voltou, e a coisa desandou de novo. Retornou para a mesma clínica e chegou a recusar o papel de Dodi, que acabou ficando com Murilo Benício em “A Favorita”. Pouco tempo depois, achando que daria conta de uma novela das 6, topou fazer “Negócio da China”, mas não conseguiu ir até o fim. “Aí me pegou mesmo, aí eu dancei”.

E a Patrícia: Demorou para perceber que precisava de tratamento?
“Demorou. Sentia medo de ser julgado, de ser visto como referência negativa”.
Quando quis saber se ele se sentia curado, rebateu: “Não quero me sentir curado. Não posso fingir que isso não existe, esse diabinho, eu tenho que ter respeito por ele”.

Ao final da entrevista, Patrícia Poeta agradeceu a confiança do ator em falar sobre o assunto pela primeira vez para ela.
E o Fábio, fofo, agradeceu a oportunidade de falar sobre isso, coisa que ele nunca tinha feito antes. Affe, Fábio, não foi por falta de convite, dos mais diversos veículos. Nós, do Estadão, procuramos pelas assessorias do ator (que à época de sua saída da clínica era uma, pilotada por sua ex-mulher, Priscila Borgonovi, e que nos últimos dois meses mudou para as mãos de Patrícia Casé). Argumentamos que ele sempre se sentiu respeitado em suas entrevistas ao jornal e, se quisesse tocar no assunto, o espaço estava à disposição dele, até em função da importância que isso tem na ajuda a tantos dependentes anônimos por aí (e esta foi uma alegação mencionada por ele na conversa com a Poeta).
É claro que ele falou à Poeta por confiar na moça, sim, mas também porque, ao falar à Globo, tinha a segurança de que o assunto seria abordado de forma muito delicada, e assim foi, sem chamadas bombásticas, sem trilha sonora de piedade, enfim, como convém a uma estrela da casa.

A Globo, aliás, tem bancado todo o tratamento de seu ilustre funcionário, o que é uma praxe da empresa, para famosos ou não.

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