Excluindo a premiação, VMB sabe surpreender

Excluindo a premiação, VMB sabe surpreender

Cristina Padiglione

18 de setembro de 2010 | 01h12

Marcos Issa/Argosfoto/Divulgação
blogMarcelo Adnet reproduz o Funk da Gaiola das Cabeçudas, sucesso na web, com participação especial de Valeska Popozuda

Não vamos falar nessa premiação quase unilateral que levou aqueles garotos de calças curtas (pequeninas, eu diria), hipercoloridas, a subir no palco do Video Music Brasil mais vezes do que a música(?) deles fez por merecer.
Esqueça por um momento a overdose de Restart, que levou 5 prêmios no VMB 2010, anteontem, no palco do Credicard Hall, e atente-se no show que a ocasião produz, no programa de TV em si.
É o caso de se dizer, sim, caramba, os caras da MTV Brasil são muito bons.
O cenário, com um cilindro (em dado momento, lembrei do glorioso túnel por onde chegavam os artistas do Cassino do Chacrinha) de um lado e aquele caleidoscópio de outro, ambos norteados por mil efeitos luminosos de computação gráfica, permitiam um sem número de ângulos para as câmeras. O mestre-de-cerimônias, Marcelo Adnet, é de longe o melhor que já passou pelo posto. As esquetes com Dani Calabresa no papel de uma velhinha que falava com acento da Velha Surda da Praça (lá vou eu entregar a idade…) faziam graça sem abusar do efeito. Sabe aquele sujeito que percebe que está agradando e vai se estendendo na piada, até estragar o riso? Pois é. Nem Adnet nem Calabresa nem a direção do prêmio, ninguém caiu nessa cilada.
Os cortes de uma personagem para outra, idem, foram exatos.
As vinhetas para apresentar categorias e concorrentes estavam igualmente inovadoras.

Como já não comparecia ao VMB há alguns anos, fiquei franca e favoravelmente surpresa. Mesmo porque estive há um mês no Prêmio Multishow de Música, que também não testemunhava ao vivo havia outros tantos anos, e lá no Multishow, feito no Rio, bem que pensei: ‘isso está tão parecido com o VMB’. Agora, reaparecendo no VMB, percebo que o programa do Multishow de hoje parece o VMB, sim, mas de anos passados. O Prêmio de Música do Multishow que conheci, em sua origem, lembrava mais o Prêmio Sharp: mais MPB, Teatro Municipal, algum traje a rigor, outra pegada. Depois que o Multishow, como disse, passou a perseguir o tal do ‘público jovem’, cenário e linguagem foram se impondo em tom MTV, com direito a Restart, Banda Cine e todos aqueles garotos de penteado igual que vi anteontem no VMB. Parecem Umpa-Lumpas, sabe? Todos a mesma carinha.

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