Nova novela das 7 confunde telespectador na estreia

Nova novela das 7 confunde telespectador na estreia

Cristina Padiglione

05 de maio de 2014 | 23h51

 

Pode ser que a gente logo localize o fio da meada, oxalá. Mas, para um primeiro capítulo, a nova novela das 7 da Globo promoveu o cruzamento de várias linhas, sem amarrar nenhuma de suas pontas.

Vários personagens, do Rio a São Francisco, passando pelo Recife, foram apresentados de uma só vez, com seus anseios, frustrações e fantasmas do passado.

Ah, sim, para “ajudar” a embaralhar mais as cartas, Geração Brasil tem lá suas pitadas de flashback, o que não é incomum para começo de novela. O que foge à regra é o telespectador ser apresentado a uma cena, no Rio de Janeiro, para depois ser transportado para “3 meses antes”, na Califórnia, e, em seguida, para “duas semanas depois”, além dos revivals de memória que surgirão ao longo do capítulo

É muita passagem de tempo, espaço e de gente para 50 minutos.

A ansiedade de apresentar a trama e suas peças atrapalha a largada da partida.

O melhor está em Lázaro Ramos, o guru das celebridades, e sua mãe, vivida por Luiz Miranda, que se comporta com a elegância de uma Michele Obama, vertendo a voz para o agudo em pequenos surtos de indignação.

A necessidade de exibir tecnologia o tempo todo, endossando o protagonista do enredo, ofusca o conteúdo. Então vemos Murilo Benício/Marra lembrando de seu passado, quando deixou o Brasil sob juramento de nunca mais voltar a essa terra maldita, em flashback retalhando a imagem de rabiscos azulados, tudo com muito neón e pinta de luminoso.

O sol da Califórnia, do Rio ou de Recife, seja lá qual for o foco, perde brilho para as luzes hi-tech, esfriando a temperatura ambiente.

Texto bom, diálogos idem, em sua maioria, são um sopro de esperança, ao lado da boa performance de Cláudia Abreu e Murilo Benício, sem falar nos já mencionados Lázaro e Miranda.

Para compensar tanta gente falando inglês e nadando em dinheiro, o popular dá o ar da graça na cena inicial, com Tiaguinho. E a boa abertura, um clipão bem montado e acabado de cartões postais das cidades que ambientam a trama, tem o som de MC Guimê, o rei do funk ostentação, em dueto com Emicida.

Com todos os problemas do primeiro capítulo, Geração Brasil tem o voto de confiança de uma plateia que se rendeu aos seus criadores, os autores Filipe Miguez e Izabel de Oliveira, e a diretora Denise Saraceni, nos idos de Cheias de Charme, enredo do mesmo time. Vamos aguardar por dias melhores.

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