Especial de Chico Anysio Anysio causou

Especial de Chico Anysio Anysio causou

Cristina Padiglione

30 de dezembro de 2009 | 19h59

Embora tudo em fim de ano seja batizado como “especial” na TV, poucos são os programas realmente dignos de serem classificados como tal.
O programa que a Globo exibiu ontem, com Chico Anysio desfilando seus célebres tipos, foi um desses. Especial, sim, com todos os méritos para ganhar edição em DVD.
A audiência respondeu bem, com 26 pontos de média, uma façanha para a atual faixa da 22 horas. Semana passada, com edição mais curta e tendo começado no mesmo horário, o “Casseta & Planeta” rendeu 24, e o “Toma Lá, Dá Cá”, 19.

Tirando aquela cortina drapeada dourada à mofolês fazendo fundo para as cenas de stand up, lay out ligeiramente caído para um programa que se permitiu usar a tecnologia a favor do conteúdo, uau, foi uma edição histórica.
Histórica porque pela primeira vez tantos personagens de um mesmo Chico contracenaram e até comparecerem à mesma aula do nobre Professor Raimundo.
Histórica porque os tipos do Chico (e digam os ofendidos por ele o que quiserem, mas essa façanha não lhe pode ser negada) são genialmente independentes do humor datado, daí engraçados a qualquer época.
Quando a piada pode ser traída pelas circunstâncias, como seria o caso de Salomé, cuja graça da conversa íntima estava no fato de seu interlocutor original, o então presidente da República João Batista Figueiredo, ser extremamente formal, ao contrário do atual Lula, a personagem é devidamente salva pelo excelente texto, e só retomando contato com o texto de Chico Anysio para reforçar a péssima impressão sobre os atuais roteiros.
Não houve quem não risse com o fato de Dilma ter atendido ao telefonema de Salomé.
Não houve quem não tenha se rendido aos truques frustrados do Vampiro Brasileiro, Bento Carneiro, e seu fiel escudeiro (“Patrão, o sôr tá tão bunito!”) contracenando com Lima Duarte, o vampiro argentino que vencia Bento Carneiro e sua vasta cabeleira.
Tudo muito bom.
Para encerrar, um tributo aos incríveis alunos já perdidos por Raimundo Nonato, como Francisco Milani, Rogério Cardoso e Grande Otelo, entre tantos outros.

Afinal, por que fazer de todo esse material uma edição anual, com tanta bobagem que nos ocupa a cada semana (e algumas, deus nos livre, todo dia)? Que venham outras edições.

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