Duas (quase) damas se engalfinham e o ibope agradece

Cristina Padiglione

11 de setembro de 2006 | 00h30

Hoje é dia de surra na novela das 9 (que a Globo ainda chama “das 8”), “Páginas da Vida”. O duelo da vez não se dá exatamente entre mocinha e bandida, como manda o clássico do horário, mas o desfile de unhadas e puxões de cabelos está garantido entre Nathalia do Vale e Danielle Winnitz.

Dada a sede da platéia por cenas de pugilato, ainda mais entre duas representantes de Eva, a expectativa por ibope é alta.

Nada se compara ao embate entre Sônia Braga e Joana Fomm naquela delícia de “Dancin’Days” que Gilberto Braga fez desfilar pela tela em 1980. Daquela feita, a mocinha Julia Matos e a megera Yolanda Pratini se cataram a valer, entre tapas e joelhadas, cabelos alheios entre os dedos e nenhuma aferição instantânea de audiência a denunciar o impacto da cena sobre o sujeito plantado do outro lado da tela.

Há dois anos, o mesmo Gilberto Braga botou duas lindinhas, Malu Mader e Cláudia Abreu, para acertar as contas num largo banheiro em “Celebridade”. Saltos altos, saias, pancake e jóias compunham a caracterização das duas. Como se deu com Julia Matos, a mocinha da vez, Maria Clara Diniz, era movida por vingança. Estraçalhou a adorável vilã Laura Prudente da Costa, ou Laura Cachorra. Bingo. 56 pontos no ibope da Grande São Paulo (à época, cada ponto correspondia a 52 mil domicílios na região).

Veio outra novela, e “Senhora do Destino”, por Aguinaldo Silva, de novo botou a heroína para surrar a malvada, agora tendo Suzana Vieira no papel do bem e Renata Sorrah, amém mil vezes, na condição de bruxa. As pancadas de Maria do Carmo em Nazaré repetiram os 56 pontos de ibope e, digamos, eram tão justas quanto aquelas vistas em “Dancin ‘Days”: destinavam-se à defesa da prole. Digamos que subir ao ringue para defender filho é sempre causa mais justa, e sem arrependimentos posteriores, do que socar uma representante do mesmo sexo em defesa do sexo oposto, né mesmo?

Hoje, no entanto, Manoel Carlos põe Nathalia e Danielle para se pegarem por aquele que já é um ícone da testosterona na história da telenovela nacional: Zé Mayer.

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