Diminutivo já era

Cristina Padiglione

21 de agosto de 2006 | 19h42

Quando fez seu Mundo da Imaginação para os mais baixinhos dos baixinhos e não foi feliz, Xuxa argumentou, entre outras linhas, que o Ibope não mede audiência entre crianças com menos de 4 anos.
Verdade.
Mas, de certo, não foi isso que determinou uma reforma do programa para baixinhos mais crescidinhos (como é patético esse uso do diminutivo no que se refere a crianças). Vide o painel Discovery Kids: canal todo programado para a faixa etária de até 4 anos. Eis um sucesso às avessas. Como o Ibope de fato não mensura esse target, o Discovery kids aparece como canal mais visto entre mulheres de 25 a 35 anos, ou seja, as mães que ainda acompanham suas crias na tarefa de zapear e de assistir à TV. Dito isso, é compreensível, embora nem sempre aceitável, que a programação do Discovery Kids esteja abarrotada de anúncios voltados para mamães, incluindo o menu do co-irmão Discovery Health, cuja pauta é dominada por assuntos relacionados à maternidade.

Ou Xuxa não alcançou as mães, muitas delas crescidas ao som de seu “Ilariê”, ou não conseguiu de fato seduzir seus filhos em detrimento do dinossauro pink do Discovery, o Barney, sem falar no gigante cão vermelho Clifford, nos Teletubbies, na Pink Dink Du ou nos Backardigans.

A propósito: na disputa entre os canais abertos, o SBT voltou a incomodar a Globo na programação voltada às crianças, pela manhã. Diga-se, a faixa matutina do SBT é a que ainda mais garante ao SBT a vice-liderança em audiência, frente à ameaça da Record de tomar o segundo lugar de Silvio Santos.

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